Ao fim de mais de quatro horas de audição no parlamento, em que a ministra das Finanças garantiu que nunca mentiu, a oposição mantém que Maria Luís Albuquerque faltou à verdade e que a sua posição no Governo sai fragilizada.

«A ministra das Finanças faltou à verdade ao dizer que o Governo anterior não tinha referido nada na transição de pastas», disse João Galamba, do PS, no final da segunda audição de Maria Luís Albuquerque na Comissão de Inquérito aos swap problemáticos contratados por empresas públicas.

Também Ana Drago, do Bloco de Esquerda, afirmou que a ministra teve uma «estratégia deliberada de dizer que lhe foi ocultada informação» e que com isso «tentou enganar a comissão de inquérito» na primeira audição, a 25 de junho passado.

Paulo Sá, do PCP, foi mais longe, ao afirmar que «quem falta à verdade na Comissão de inquérito não reúne condições para continuar no Governo».

«Não pode continuar a ocupar o cargo de Ministra das Finanças», realçou.

Por seu lado, o deputado do PSD Virgílo Macedo declarou que esta audição serviu para desmontar os argumentos da oposição, de que a ministra tinha mentido na comissão. «A vossa narrativa já não existe, é comprovadamente falsa», afirmou Virgílio Macedo.

Esta audição de Maria Luís Albuquerque na comissão de inquérito aos swap, a segunda depois da realizada a 25 de junho, foi pedida com caráter de urgência pelos partidos da oposição (PS, PCP e BE) depois de alegadas contradições e omissões quanto ao que sabia sobre os swap quando tomou posse como secretária de Estado do Tesouro.

Durante a audição a ministra admitiu que teve de «pressionar» o ex-diretor-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício para obter informação sobre swaps e que a que lhe veio a ser prestada revelou-se insuficiente.

Antes, Maria Luís Albuquerque garantiu que Costa Pina, ex-secretário de Estado, sabia de swaps problemáticos desde 2010, acusando-o de «falhas graves» de memória, já que a governante não podia passar a Vítor Gaspar a sua preocupação com swaps porque não o conhecia na altura.

A ministra das Finanças disse hoje no parlamento que as perdas com swap seriam hoje menores se o anterior Governo, do Partido Socialista, tivesse imposto um maior controlo às empresas públicas na contratação destes instrumentos financeiros.

«Se houvesse controlo que impedisse as empresas de celebrar contratos, muitos dos problemas teriam sido evitados», disse hoje Maria Luís Albuquerque, respondendo a deputados do PSD que a questionavam sobre se um maior controlo da contratação destes instrumentos de gestão de risco teria minimizado o problema.

«Se esse mecanismo existisse mais cedo, parte do problema teria sido evitado», reforçou ainda a governante.

Maria Luís Albuquerque referia-se ao despacho emitido pelo ex-secretário de Estado Costa Pina, em janeiro de 2009, segundo o qual as empresas que contratavam instrumentos de gestão de risco financeiro (swap) «devem enviar à Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), no prazo de 30 dias a contar da data da contratação, a memória descritiva das operações de cobertura, os critérios de contratação, a memória descritiva da operação de cobertura, os critérios que presidiram à sua escolha, os cash-flows e all-in cost correspondentes à melhor oferta obtida no processo de consulta prévia ao mercado, bem como as condições restritivas quando existam».