Mais de metade dos 22 deputados portugueses ao Parlamento Europeu na atual legislatura vão deixar certamente a assembleia na sequência das eleições europeias de 25 de maio, conhecidas que são as listas dos partidos que elegeram eurodeputados em 2009.

Nas eleições para a legislatura 2014-2019, Portugal elegerá 21 eurodeputados (perde um assento no hemiciclo devido à adesão da Croácia), sendo que 13 dos atuais 22 não surgem nas listas já anunciadas por PSD e CDS-PP, PS, PCP e Bloco de Esquerda, os partidos que há cinco anos conseguiram eleger deputados para a assembleia europeia.

Nos lugares elegíveis da lista da coligação PSD/CDS-PP (agora sob o nome Aliança Portugal), que já assumiu como objetivo a eleição de nove deputados, apenas surgem quatro dos 10 eurodeputados atualmente em funções, designadamente Paulo Rangel (que volta a ser o cabeça de lista), Nuno Melo, Carlos Coelho (recordista absoluto entre os eurodeputados portugueses, em funções desde 1998) e José Manuel Fernandes.

Deixam o Parlamento Europeu os sociais-democratas Maria da Graça Carvalho, Mário David, Nuno Teixeira, Maria do Céu Patrão Neves, Regina Bastos e o democrata-cristão Diogo Feio.

Relativamente ao PS, cuja lista às eleições de maio foi anunciada na terça-feira, da delegação de sete deputados atualmente em funções, cinco deixam o Parlamento: os «históricos» Edite Estrela e Capoulas Santos (abandonam a assembleia após 10 anos), Vital Moreira, que foi cabeça de lista há cinco anos, Correia de Campos e Luís Paulo Alves.

Numa lista que praticamente garante a reeleição de Elisa Ferreira (quarta) e Ana Gomes (sexta) - que vão assim a caminho do terceiro mandato (ambas são deputadas ao Parlamento Europeu desde 2004) -, há ainda a particularidade de se poder assistir a dois regressos, designadamente de Francisco Assis (o cabeça de lista socialista, que foi eurodeputado entre 2004 e 2009) e Manuel dos Santos, embora o antigo vice-presidente do PE (que também cumpriu a legislatura anterior) surja somente em nono na lista do PS.

Já quanto ao Bloco de Esquerda, que em 2009 elegeu três deputados - um dos quais, Rui Tavares, viria a abandonar a delegação e o grupo político da Esquerda Unitária, passando para os Verdes -, Marisa Matias surge como cabeça de lista, devendo cumprir assim o seu segundo mandato, mas Alda Sousa (que substituiu o falecido Miguel Portas) não é candidata, surgindo nos segundo e terceiro postos da lista dos bloquistas os independentes João Lavinhas e Cláudio Torres.

Rui Tavares, por seu lado, fundou entretanto o partido Livre, desconhecendo-se ainda se se apresentará às eleições europeias.

Por fim, a CDU, que em 2009 elegeu dois deputados, apresenta nos dois primeiros lugares da lista às eleições os dois atuais eurodeputados, João Ferreira e Inês Zuber (ambos do PCP), surgindo em terceiro Miguel Viegas (também do PCP), sem nenhuma anterior passagem pelo hemiciclo europeu, e apenas no quarto uma representante dos Verdes, Manuela Cunha.