O presidente do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, afirmou, este domingo, que se o seu sucessor decidir acabar com a realização da festa social-democrata na Herdade do Chão da Lagoa deve ser «posto na rua».

«É maluco e deve ser posto na rua», disse o líder madeirense à chegada à festa anual do PSD-Madeira, momentos depois de apreciar uma exposição alusiva aos 40 anos do partido na Região e representativa da ação dos governos regionais por si chefiados.

Questionado sobre se irá sentir saudades de participar na festa como líder do partido que tenciona deixar, no princípio de janeiro, bem como das oportunidades de enviar críticas para Lisboa respondeu: «Eu mando todos os dias bocas para o continente e vou continuar a mandar e, depois de deixar de ser presidente do Governo então é que eu estou à vontade para dizer o que ainda me falta».

À chegada ao recinto da festa, Alberto João Jardim subiu ao palco para desejar, segundo a organização às cerca de 30 mil pessoas presentes, «um bom dia de festa».

Depois iniciou o seu périplo pelas cerca de 56 barracas ali instaladas dedicadas às 54 freguesias da Madeira e outras representativas dos TSD e da JSD.

Na caminhada, foi cumprimentado por dois dos cinco candidatos à sua sucessão, João Cunha e Silva, que se lhe dirigiu numa das barracas do concelho da Ribeira Brava, e Miguel de Sousa com quem se cruzou na da Calheta.

Alberto João Jardim participa hoje, pela última vez, como presidente da Comissão Política Regional do PSD-Madeira, na tradicional festa social-democrata na Herdade do Chão da Lagoa, nas serras sobranceiras à cidade do Funchal.

O líder dos sociais-democratas madeirenses já disse que não se candidata a mais um mandato a presidente do PSD-M, função que vem exercendo desde 1974.

A 19 de dezembro, com uma segunda volta a 29 desse mesmo mês, o PSD-M realiza as suas eleições internas para escolha do próximo líder do partido, o qual sucederá a Alberto João Jardim e será aclamado no congresso regional a ter lugar a 10 de janeiro.

Na corrida à liderança já estão o ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, o vice-presidente do Governo Regional, João Cunha e Silva, o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Miguel de Sousa, e o ex-eurodeputado, Sérgio Marques.

Alberto João Jardim tenciona abandonar a presidência do Governo Regional no dia a seguir ao congresso, deixando o lugar ao novo líder do partido que deverá cumprir os últimos nove meses do mandato do executivo eleito em 2012.

Jardim admite, no entanto, governar até às eleições legislativas regionais de outubro de 2015 caso o Presidente da República não subscreva a solução por ele delineada.

A festa dos sociais-democratas madeirenses, o partido maioritário na Madeira há mais de três décadas, liderado por Alberto João Jardim, acontece mais uma vez sem a presença de dirigentes nacionais do partido.

Noutros tempos passaram pelo Chão da Lagoa diversos líderes do partido, casos de Francisco Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Marques Mendes, além de outras figuras do PSD, o que já não acontece há alguns anos.

As dezenas de barracas representando as diferentes freguesias e as diversas estruturas do PSD, além de outras dezenas exploradas por vários comerciantes e associações de caráter social, que facultará muitos comes e bebes, além da muita animação musical são outros dos ingredientes desta que é considerada a maior festa popular da Madeira que tem como cabeça de cartaz este ano Mickael Carreira.