O presidente do Governo dos Açores afirmou esta segunda-feira que escreveu ao primeiro-ministro a pedir esclarecimentos sobre o «alegado interesse» dos Estados Unidos na base militar de Beja, quando não está «devidamente resolvida» a questão das Lajes.

Vasco Cordeiro revelou, em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada, que enviou a carta a Passos Coelho hoje de manhã, colocando ao primeiro-ministro «as questões que para os Açores são relevantes neste âmbito».

«Em primeiro ligar, a existência ou não desses contactos. Em segundo lugar, a ligação que podem ter com as tomadas posição do Governo português sobre a base das Lajes. E em terceiro lugar, e por último, se o Governo português entende que é possível conceder facilidades aos EUA noutras infraestruturas militares em qualquer ponto do território nacional enquanto não estiver devidamente resolvida a situação da base das Lajes», explicou.

O objetivo da carta é «clarificar esta questão», embora o executivo regional não tenha «receios particulares», dada a forma como os dois governos se têm articulado no dossiê das Lajes, assegurou Vasco Cordeiro, depois de ter sido questionado sobre se os Açores receiam que a base de Beja possa vir a ser uma «moeda de troca» pela possível diminuição do contingente norte-americano nas Lajes.

«Mas julgo que é compreensível que o Governo Regional entenda ser sua obrigação, sobretudo depois das notícias que vieram a público, clarificar esta quetsão. É apenas neste âmbito que o assunto se coloca e queremos acreditar, por todos os testemunhos de interesse, de atenção e de cuidado que o Governo da República tem colocado no tratamento da questão, que não há motivos para receios», afirmou.

Vasco Cordeiro disse que «oficalmente o Governo dos Açores» não foi informado do alegado interesse dos EUA em usar a base militar de Beja, como noticiaram no sábado os jornais «Público» e «Expresso».

O presidente do executvo açoriano falava após uma reunião com os deputados da comissão de Política Geral do parlamento dos Açores para os informar das diligências que têm sido tomadas pelos governos nacional e regional em relação às Lajes e que são «fundamentalmente contactos com entidades políticas norte-americanas no sentido de salvaguardar a base das Lajes no contexto da relação diplomática» que existe entre Portugal e os Estados Unidos e na qual o arquipélago tem sido «a pedra basilar».

Essas diligências «já tiveram resultados muito significativos», materializados em propostas no âmbito das leis do orçamento e da Defesa dos Estados Unidos de 2014 e 2015, cita a Lusa.

Os americanos tinham anunciado a intenção de reduzir significativamente o contingente que têm nas Lajes, na ilha Terceira, já este ano, mas a decisão está suspensa, aguardando-se neste momento um relatório da Secretaria da Defesa dos Estados Unidos sobre as bases que o país tem na Europa.

Está também em discussão no congresso dos EUA uma iniciativa, subscrita por 40 congressistas, que propõe a utilização das Lajes como base do AFRICOM, o comando norte-americano para África.

O presidente da comissão de Política Geral do parlamento açoriano, Costa Pereira, congratulou-se, por seu turno, com o convite que Vasco Cordeiro endereçou aos deputados para uma reunião sobre as Lajes, sublinhando que a questão é consensual entre todos os partidos e tem uma dimensão regional, apontando a importância de o processo poder ser acompanhado pela Assembleia Legislativa Regional.