A Distrital do Porto da Juventude Popular enviou um comunicado a Cavaco Silva onde expressa a sua oposição à realização de um referendo para aferir a adoção e coadoção por casais do mesmo sexo.

No documento, a que o tvi24.pt teve acesso, classificam a proposta como inoportuna visto que «numa democracia representativa (...), o recurso ao referendo deve ser encarado como extraordinário e reservado a questões excepcionais, acerca dos quais o pronunciamento dos deputados eleitos seja considerado insuficiente. É nossa convicção que as questões em apreciação não o são».

Tiago Loureiro, presidente da Distrital do Porto da Juventude Popular, disse ao tvi24.pt que a reposição em agenda desta discussão desacredita o papel dos debutados e da própria Assembleia da República. «Num cenário ideal devíamos referendar todas as questões. O sistema democrático do país permite que sejam os deputados a tomar decisões importantes», explicou, acusando a proposta aprovada na última sexta-feira de passar «um atestado de incompetência» aos deputados que há menos de um ano votaram.

Os que «agora parecem considerar-se incompetentes para se pronunciarem sobre estas matérias, tiveram a oportunidade de discutir e votar ambas as questões há menos de um ano, tendo uma sido aprovada e a outra rejeitada. Como institucionalistas que somos, prezamos o respeito pelas decisões das instituições democráticas e condenamos todas as atitudes que firam gratuitamente a sua respeitabilidade, mesmo que provenham daqueles que deveriam ser os seus primeiros promotores», afirma no comunicado enviado para o palácio de Belém.

«É difícil para os portugueses, os nossos credores e investidores perceberem esta troca de prioridades quando todos pensam em questões económicas e financeiras», disse, sublinhando que faltam cerca de quatro meses para o fim do programa de ajuda externa.

O jovem centrista refere ainda que neste ano uma das prioridades políticas deverá estar focada na eleição dos deputados para as eleições ao Parlamento Europeu, agendadas para 24 de maio. A «discussão e debate podem ser prejudicados por uma campanha paralela e que torne difusas e pouco esclarecedoras as mensagens passadas nas campanhas de ambos os actos eleitorais», acrescenta o documento.

Tiago Loureiro espera «que o Presidente da República rejeite o referendo» e que a voz da juventude centrista seja mais uma a juntar-se às demais que já se posicionaram contra a proposta de consulta popular.

Comunicado da Distrital do Porto da Juventude Popular by Verónica Ferreira