O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, considerou que a «atomização da esquerda» não ajuda a dar força e apelou hoje à união da mesma como forma de a fortalecer.

«O que queremos dizer é que esta atomização da Esquerda não ajuda nada a dar força à esquerda e deixo o meu apelo para que todos pensem duas vezes porque a melhor forma de reforçar a esquerda é juntar forças e a pior forma de ajudar a esquerda é dividir a esquerda», afirmou.

João Semedo falava na Covilhã, à margem de uma visita realizada aos hospitais daquela região do interior do país, e quando questionado sobre a recente demissão de Ana Drago e demais membros do BE ligados ao Fórum Manifesto.

Relativamente ao assunto em concreto, João Semedo reiterou que a situação não surpreendeu o partido.

«Não fomos surpreendidos. São diferenças de opinião que se têm vindo a cristalizar ao longo do tempo e portanto não ficámos surpreendidos com a decisão de Ana Drago e de outros membros da Manifesto», disse.

O líder dos bloquistas também sublinhou que, apesar de o BE ter vontade de a fazer «tão depressa quanto possível», a convenção do partido, marcada para novembro, não será antecipada devido às demissões, já que a realizar-se nos meses de verão iria dificultar a «participação intensa dos militantes».

«Na Mesa Nacional do BE, nós discutimos a possibilidade de antecipar a nossa convenção, mas confrontámo-nos com um problema que não conseguimos ultrapassar: uma convenção exige a participação intensa dos militantes e nós não quisemos que os meses de verão interrompessem e dificultassem essa participação e portanto vamos fazê-la na primeira oportunidade que temos»,cita a Lusa.

A ex-dirigente do Bloco de Esquerda Ana Drago anunciou a 13 de julho a sua demissão desta força política e a renúncia ao lugar de deputada da Assembleia Municipal de Lisboa, alegando divergências sobretudo no processo de convergências políticas.

Em entrevista à agência Lusa, Ana Drago afirmou que os membros da Associação Fórum Manifesto concluíram que dentro do Bloco de Esquerda já não era possível fazer um processo de criação de alianças e de convergências, tendo em vista compromissos políticos que permitam designadamente salvaguardar aspetos determinantes do Estado social.