O secretário-geral do PCP defendeu nesta terça-feira que o seu partido e aquilo a que alguns apelidam de «cassete» foi o único discurso que «tinha razão há dois anos», discordando do memorando de entendimento para assistência financeira da troika.

Em Torres Novas, numa ação de campanha autárquica, Jerónimo de Sousa voltou a criticar a postura de «submissão» da maioria PSD/CDS-PP, mas também dos socialistas e do Presidente da República «perante o estrangeiro».

«Há dois anos, só houve uma voz que disse 'cuidado, não vão por aí, não assinem isso, procurem alternativas, renegoceiem a dívida, procurem fontes de financiamento diferentes, juntem-se a outros países em dificuldades'. Lá estava o PCP a ter uma visão negra, a usar a cassete, o pessimismo. Hoje dizem que quem tinha razão afinal era o PCP», afirmou o também deputado comunista.

O secretário-geral do PCP descreveu que, «ainda hoje, os chamados parceiros sociais - patrões, sindicatos» -, concordaram com a teoria avançada pelos comunistas ao admitirem que «as reuniões (com a troika) tinham sido uma desilusão», não passando de «uma audição».

«Temos que denunciar a política de submissão perante o estrangeiro, daqueles que diziam ser os tais amigos, com as tais ajudas que vinham resolver os problemas do défice e da dívida», alertou o líder da Coligação Democrática Unitária, que une ainda «Os Verdes» e a Intervenção Democrática.

Jerónimo de Sousa defendeu que «os candidatos da CDU são perfeitamente normais, cidadãos animados pela honestidade, que marca a diferença em relação à política e aos outros políticos, servindo os trabalhadores e as populações», enquanto «tantos e tantos usam a política para promoção, para fins pessoais ou de grupos».

Em Torres Novas, a CDU tem um vereador, Carlos Tomé, que se recandidata a uma autarquia liderada pelo socialista António Rodrigues, desta feita substituído pelo seu «vice», Pedro Ferreira, em virtude da lei de limitação de mandatos.