O presidente do PSD-M, Alberto João Jardim, disse, este domingo, que a Madeira não aceita fazer parte de um Portugal que se declare de «Estado Unitário».

Ao intervir pela última vez como líder do PSD-Madeira na festa da Herdade do Chão da Lagoa, propriedade da Fundação Social Democrata, Alberto João Jardim declarou que «a Madeira recusa, categoricamente, fazer parte de um Portugal que se diga Estado Unitário».

«Não se pode continuar a aceitar que a Constituição diga esta expressão que somos um Estado Unitário. É mentira, a Constituição mente, nós temos poder legislativo próprio e mente que é para aqueles tribunais e o Governo de Lisboa poderem, com pretexto nesta expressão falsa e mentirosa que é o Estado Unitário, poder continuar a fazer todas as arbitrariedades, a dizer que não temos direito a isto e aquilo para poder abusar de nós», referiu.

Alberto João Jardim realçou ainda: «nós queremos estar na mesma Pátria portuguesa, mas só estaremos na mesma Pátria portuguesa se nos sentirmos bem, queremos estar na Pátria portuguesa, mas com uma Constituição que seja aquilo que nós queremos para a nossa vida, não aceitamos estar na Pátria portuguesa com uma Constituição imposta pelas pessoas de Lisboa porque eles mandam em Lisboa, mas, na Madeira, mandam os madeirenses».

Por isso, Alberto João Jardim alertou que há que haver «cuidado com quem vamos apoiar no futuro na República portuguesa».

Para o líder do PSD-Madeira, Portugal está «numa situação em que os quatro grandes partidos são conservadores e não querem alterar nada».

«A esquerda, os comunistas fazem manifestações e berram na rua, mas quando se lhes diz vamos mudar isto, não querem. Os socialistas dizem não a tudo quando a gente lhes pergunta afinal o que é vocês propõem. Nada, manter tudo na mesma. Os partidos que estão na coligação - o PSD eo CDS - falam de reforma do Estado e o que é que eles fazem? Cortam nos salários, cortam nas pensões, rebentam com direitos adquiridos. Isto não é reforma do Estado», sublinhou.

Jardim concluiu que «com estes quatro partidos não vamos a parte nenhuma, se eles continuarem assim temos que fazer outra coisa, temos que caminhar noutra formação política, temos que fazer a mudança em Portugal».

O presidente do PSD-Madeira pediu aos militantes para que não deixem o partido cair «nas mãos dos que querem andar com isto para trás», agradeceu o apoio que os madeirenses e porto-santenses lhe dispensaram ao longo dos últimos 40 anos.

Depois dirigiu-se para o meio do recinto da festa onde apagou as velas do bolo dos 40 anos do PSD-Madeira: «Vim de vós, saio no meio de vós, quero terminar no meio de vós».

«Eu vou embora, mas a luta continua», finalizou.

O secretário-geral do PSD-Madeira, Jaime Ramos, e o presidente da JSD-M, Rómulo Coelho, foram outros intervenientes da Festa.