O ministro da Administração Interna afirmou, esta segunda-feira, que a invasão, na passada quinta-feira, da escadaria da Assembleia da República pelas forças de segurança faz «parte da história» e que «não vai repetir-se».

«Há um passado, um presente e um futuro na cerimónia de posse que hoje aqui nos reúne. O passado foram os acontecimentos da pretérita semana. Eles já fazem parte da história. Uma história que não pode nem vai repetir-se», disse Miguel Macedo na cerimónia de tomada de posse do novo diretor da PSP, o superintendente Luís Farinha.

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Até aqui comandante da Unidade Especial de Polícia (UEP), Luís Farinha sucede no cargo ao superintendente Paulo Valente Gomes, que colocou o lugar à disposição na sexta-feira, na sequência dos acontecimentos em frente à AR, tendo o seu afastamento sido aceite pelo ministro.

Na cerimónia, presidida pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Miguel Macedo adiantou que a invasão da escadaria do Parlamento não vai repetir-se «para bem do estado de direito» e «para defesa da imagem de profissionalismo e credibilidade dos agentes e das forças de segurança».

FOTOS: Tomada de posso do novo diretor nacional da PSP

Miguel Macedo considerou também que «as vicissitudes dos acontecimentos da semana passada ditaram a inevitabilidade da mudança de liderança na PSP».

No seu discurso, o ministro sublinhou que «a imagem de Portugal como país seguro é uma enorme mais-valia», que «ajuda a atrair investimento», a reforçar o país «como destino turístico» e «mais moderno e competitivo».

«Uma imagem de turbulência, violência ou conflito destrói num ápice todos os discursos em favor da segurança», defendeu, manifestando «compreensão pelos problemas» e «dificuldades» que os polícias atravessam.

No entanto, sustentou, que «há uma verdade que convém nunca esquecer, um polícia, antes de ser polícia, é um português», que «sente as adversidades da crise».

«Estamos aqui para nunca esquecer essa realidade e para encontrar sempre o engenho e a arte indispensáveis para minorar os problemas que têm e as dificuldades que atravessam. É essa a garantia que dou em nome de Portugal», observou.

Na cerimónia, o governante disse que o Governo escolheu Luís Farinha para diretor nacional da PSP por ser «um oficial competente e experiente, dedicado e determinado, com provas dadas ao serviço de Portugal».

Milhares de profissionais de forças e serviços policiais e de segurança - PSP, GNR, SEF, ASAE, polícia marítima, guardas prisionais, polícia municipal e PJ - manifestaram-se na passada quinta-feira em Lisboa e, depois de derrubarem uma barreira policial, conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional, tendo depois desmobilizado voluntariamente.