A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, sustentou nesta quinta-feira que a violência é legítima para se pôr cobro à violência de se retirar direitos fundamentais e meios de subsistência essenciais à generalidade dos cidadãos.

Helena Roseta fez estas afirmações sobre a situação do país no discurso que proferiu na conferência «Em defesa da Constituição, da democracia e do Estado social», iniciativa que se realizou na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e que teve como principal promotor o ex-Presidente da República Mário Soares.

«Quando um povo é privado dos seus direitos e de uma forma violenta se vê privado dos seus meios de subsistência e se vê privado do direito a uma vida decente em todas as idades - em particular na idade mais idosa -, quando isso acontece toda a doutrina, incluindo a doutrina social da igreja, diz que nesses casos a violência é legítima para pôr cobro à violência», sustentou a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa.

Perante o aplauso, que durou quase um minuto, Helena Roseta fez uma ressalva, pedindo que a assistência e, sobretudo a comunicação social, não interpretasse erradamente as suas palavras.

«Não estou a fazer nenhum apelo para que se empunhem armas. A nossa arma é a nossa força, é a força dos cidadãos - e é essa que temos de empunhar», referiu.

De acordo com a antiga deputada e dirigente do PSD e do PS, Portugal confronta-se com «uma sucessão de golpe de Estado não pela força das armas, mas pela força da finança internacional».

«Não são cortes nem poupanças o que estão a fazer. São roubos o que eles estão a fazer», declarou a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, num discurso muito aplaudido pela plateia, que gritou imediatamente «gatunos, gatunos».

Helena Roseta terminou o seu discurso com um apelo: «Vamos fazer-lhes frente e não vamos parar até que eles [Governo] sejam corridos».