O candidato do Partido Socialista às primárias do partido veio à antena da TVI24, esta quinta-feira, fazer o balanço dos dois debates em que enfrentou António Costa. Seguro mostrou-se otimista: «Considero que a mensagem está a passar e a adesão é crescente», acreditando que vai continuar a ser o cabeça-de-lista do PS nas próximas legislativas.

Isto porque «o PS felizmente é uma grande família», desvalorizando a falta de apoio que o grupo parlamentar lhe tem dado durante o seu mandato. «É uma das expressões do partido. Isso é um facto, não vou desmenti-lo. Só tornou mais difícil a minha liderança».

O mesmo dizer dos «notáveis» do partido, como Mário Soares ou Almeida Santos, que vieram a público apoiar Costa. Sem falar em nomes, Seguro refere: «O PS é composto por dezenas de milhar de militantes e, no final, contam-se os votos. Vale tanto o voto do militante notável como o do militante de base».

Também não escondeu novamente a mágoa que sente com António Costa. «Gostava que isto não tivesse acontecido», voltando a acusar o presidente da câmara de Lisboa e seu opositor de «deslealdade» e contestando as suas justificações para avançar.

Três anos passados «mostram ascensão do PS», porque «era uma maratona e não um sprint. Nestes 3 anos recuperámos 75% dos votos necessários para atingir a maioria absoluta. Isto é, com o mesmo ritmo, nós estaríamos no limiar da maioria absoluta daqui a um ano».

Ou seja, Costa veio deixar uma «fratura exposta», e, como tal, Seguro reconhece ter «mudado» a sua atitude. «Não havia mais razão para eu me anular», sendo que até aí tinha «posto os interesses do partido à frente dos meus interesses individuais e os interesses do país à frente dos interesses do PS».

Rejeita, por seu turno, as críticas de Costa, de que lhe está a fazer «ataques pessoais». «Não é um ataque pessoal é uma crítica ao caráter político», disse. António Costa «deu um presente à direita. Aquela semana foi um passeio» para Passos Coelho e Paulo Portas. Já o PS «entrou em convulsão» e «isto não se faz».

Seguro fala com a certeza de que vai ganhar as primárias, principalmente depois dos resultados para as federações lhe terem sido favoráveis, mas «o líder do PS não enjeita nenhum passado, transporta todo o património do partido consigo, as coisas boas e as coisas menos boas». Todavia, explica: «A minha responsabilidade política não é justificar o passado porque eu já não consigo mudar nada do passado».

Para o futuro, António José Seguro quer uma maneira nova de fazer política. «Existe um partido invisível na sociedade portuguesa, que tem secções em várias áreas do regime e também tem na política fundamentalmente» e há uma «parte do PS mais associada aos interesses». Explica que são «constatações» e não «insinuações» sem especificar quais, mas «assume a responsabilidade» pelas palavras» e, por isso, não retira nada àquilo que disse.

Tal como reitera que não aumentará impostos: «Disse, repito e garanto. Não aumentarei a carga fiscal. IRS, IRC e o IVA. Atingimos um limite de carga fiscal inaceitável», mas pode mexer nalgumas taxas sem alterar o produto final. Ao contrário dos quatro candidatos a primeiro-ministro que o fizeram.