«Não quero ser candidato, mas não faço juras eternas; há sempre uma probabilidade, mesmo que mínima, de isso acontecer». A frase pertence a António Guterres, antigo primeiro-ministro português e há anos comissário da ONU para os refugiados, cujo o nome é sempre falado quando ao assunto é presidenciais.

Guterres sempre disse «não», mas nunca disse «nunca» e, pela primeira vez, numa entrevista ao jornalista da revista «Sábado», Fernando Esteves, a propósito da biografia do socialista Jorge Coelho, fez esta afirmação, deixando um tabu no ar e uma esperança a muitos socialistas para as Presidenciais de 2016. Jorge Coelho, António Vitorino ou Maria de Belém Roseira são algumas das figuras do PS que já se pronunciaram publicamente a favor de uma candidatura de Guterres.

«António Guterres tem conquistado um prestígio internacional que lhe permite ser candidato ao que entender. Se entender colocá-lo ao serviço de Portugal, o País sai a ganhar», afirmou Maria de Belém à revista.

O ano de 2016 pode ser, sem dúvida, de viragem para o homem que conquistou Portugal com o coração e os socialistas com uma rosa na década de 90 e que desde que abandonou o executivo que se mantém afastado da política nacional, ao mesmo tempo que ganha projeção e reconhecimento internacional. Por isso, Guterres pode bem presidente em 2016, resta saber se se candidata às presidenciais portuguesas ou ao lugar de secretário-geral das Nações Unidas, de modo a suceder a Ban Ki-moon.

A banda sonora de Vangelis fez sucesso nas legislativas. Agora é preciso perceber que instrumento Guterres prefere tocar.