Um grupo de cidadãos de Coimbra, de «todos os quadrantes políticos», vai promover uma sessão cívica em «defesa da Constituição, da democracia e do Estado social», no dia 21 de janeiro, naquela cidade, foi anunciado esta quarta-feira.

Face à «situação desesperada em que o país se encontra e em que o nosso povo vive», 25 cidadãos, de «todos os quadrantes políticos representados na Assembleia da República e independentes», entenderam promover uma iniciativa para «despertar a consciência nacional», disse, em Coimbra, durante uma conferência de imprensa, António Arnaut.

A sessão, que decorrerá, a partir das 18:00, no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra (UC), pretende «chamar a atenção dos portugueses para a situação desesperada em que nos encontramos e visa dizer ao Governo que os nossos credores têm direitos» e que lhes «devemos pagar as dívidas», mas dizer-lhe também que «os principais credores» são os cidadãos, sublinhou o fundador do Serviço Nacional de Saúde e um dos promotores da iniciativa.

«Os principais credores» do país são «os cidadãos portugueses que se viram espoliados da sua reforma, do seu trabalho», que tiveram de emigrar, que foram «espoliados de direitos fundamentais», sustentou Arnaut.

«Esses são os credores, porque o contrato social que nós fizemos é um contrato que garante aos cidadãos portugueses o mínimo de dignidade», no acesso aos cuidados de saúde, ao ensino e ao trabalho - «isso é que é o Estado social», que está a ser posto em causa, afirmou.

«Preocupamo-nos com a situação do povo e da pátria e esse é o sentido e o espírito que preside à nossa iniciativa», assegurou Arnaut, defendendo que «a abrangência» deste grupo de cidadãos «mostra que não há aqui nenhuma ideia partidária».

Na sessão, a que presidirá Arnaut, «intervirão oradores de todas as sensibilidades»: Manuel Ferreira Ramos (ex-deputado do CDS), pela «área democrata-cristã», António Barbosa de Melo (antigo presidente da Assembleia da República), «pela área social-democrata», Manuel Alegre (ex-deputado do PS), «pela área socialista», José Dias (independente), Catarina Isabel Martins (BE) e Jorge Gouveia Monteiro (PCP).

«Mário Soares já manifestou desejo em estar presente», disse António Arnaut, adiantado que a realização da sessão será comunicada a todos os ex-presidentes da República, e que serão convidados os deputados eleitos pelo círculo de Coimbra, os presidentes da Câmara e da Assembleia municipais de Coimbra, o reitor da UC e as duas centrais sindicais.

«A solidariedade não tem direita nem esquerda» sustentou, durante a conferência de imprensa, João Aldeia, líder da Federação Distrital de Coimbra dos Trabalhadores Democrata Cristãos.

«A democracia está fraturada» e «o país precisa de um novo rumo», defendeu o dirigente sindical, explicando o seu envolvimento na iniciativa.

A participação de ¿pessoas dos mais diversos setores¿ na iniciativa foi sublinhada pelo professor universitário Abílio Hernandez, interpretando o facto de se ¿juntarem pessoas tão diferentes¿ com as mesmas preocupações como reflexo da ¿situação de emergência nacional como a democracia portuguesa nunca viveu¿.