O dirigente nacional do PS Óscar Gaspar acusou, esta segunda-feira, o Governo de ter provocado um curto-circuito na economia portuguesa. O coordenador económico do PS referiu que «não há piquete de urgência que salve» as políticas do Orçamento do Estado (OE) para 2014.

De acordo com a Lusa, lembrando que o primeiro-ministro alertou para que «não houvesse um choque de expetativas» em relação ao OE para o próximo ano, Óscar Gaspar disse que, «não houve nenhum choque de expetativas». Isto porque o OE para 2014 «é igual aos orçamentos de 2012 e 2013, ou seja, o que houve foi um curto-circuito que o PSD e o CDS-PP provocaram em toda a economia nacional», afirmou.

«Um curto-circuito que foi provocado no final de 2011 e que se mantem até hoje. Não há piquete de urgência que salve as políticas económicas e financeiras» do OE para 2014, afirmou Óscar Gaspar, em Beja, no início do primeiro de vários plenários que o PS está a promover por todo o país até ao próximo dia 22 para debater a situação política, o OE para 2014 e as propostas do partido para Portugal.

«Olhamos para o OE para 2014 e não vemos lá nenhuma resposta para nenhum dos problemas dos portugueses» e «nem sequer uma réstia de estratégia», disse o também economista e assessor económico do PS.

Óscar Gaspar acusou também o Governo de ter transformado «um programa de ajustamento num programa de empobrecimento», porque «o objetivo foi sempre, desde a primeira hora, empobrecer o país».

«Não tinha de ser assim», defendeu, referindo que o Governo, por um lado, «falhou todos os objetivos previstos» e, por outro, «foi além daquilo que estava previsto» no memorando de entendimento inicial com a troika.

O dirigente nacional do PS questionou: «Algum português, desde o Minho ao Algarve, acredita que estejamos no caminho certo? Algum português sente que estamos a resolver os nossos problemas?». «Se tudo está a correr bem porque é que o Governo insiste em mais austeridade e num Orçamento do Estado para 2014 que é mais do mesmo», perguntou. «Se tudo estivesse a correr bem, obviamente que não seria preciso estar a continuar a introduzir mais dor e sofrimento à população», respondeu.

Em declarações aos jornalistas à margem do plenário, Óscar Gaspar explicou que não há diálogo entre socialistas e sociais-democratas porque o PSD entende que está «no caminho certo», ao contrário do PS e da «grande maioria» dos portugueses, os quais acham que Portugal «não está no caminho certo» e é preciso «um novo rumo».

«Com estas duas posturas tão extremadas fica claro porque é que não há nenhum tipo de diálogo entre o PS e o PSD», afirmou Óscar Gaspar.

A explicação de Óscar Gaspar surge após o Presidente da República, Cavaco Silva, ter dito esta segunda-feira estar surpreendido por Portugal ser uma exceção europeia no entendimento político alargado entre as diferentes forças partidárias, sobretudo quanto à resolução de problemas estruturais.