O Governo enviou na terça-feira ao Presidente da República a carta onde expõe os motivos pelos quais pretende que o chefe de Estado suscite a fiscalização preventiva de normas orçamentais relativas aos salários e pensões.

A informação foi prestada à Lusa por fonte do gabinete do primeiro-ministro. O conteúdo da carta não foi, contudo, revelado.

Há cerca de uma semana, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já tinha anunciado que o executivo iria fazer chegar uma carta ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, «exprimindo os termos» em que o Governo julga «que uma fiscalização preventiva pode ser útil para o país».

Em causa está o diploma aprovado pela Assembleia da República a 25 de julho que «estabelece os mecanismos das reduções remuneratórias temporárias e as condições da sua reversão no prazo máximo de quatro anos» e o diploma, aprovado no mesmo dia, que cria a contribuição de sustentabilidade, a solução definitiva que substituirá a Contribuição Extraordinária de Solidariedade.

Segundo Pedro Passos Coelho, neste momento, «tudo o que seja afastar dúvida jurídico-constitucional» é importante, porque Portugal vai «precisar de rever todo o enquadramento com a Comissão Europeia» e também por necessidade de estabilidade e previsibilidade no plano interno.

«Precisamos de dar aos portugueses uma certa estabilidade, para que eles saibam com o que é que contam, para não andarmos todos os anos a mexer nos impostos e a mexer nos rendimentos, de tal maneira que as pessoas fiquem sem saber com aquilo que podem contar», argumentou.

No dia anterior, o Presidente da República já tinha admitido enviar para fiscalização preventiva os diplomas que estabelecem uma nova contribuição sobre as pensões e novos cortes sobre os salários do setor público, mas só depois de receber um requerimento do Governo.

Cavaco Silva disse ainda querer «conhecer melhor e em termos concretos qual é o pedido do Governo em relação ao Presidente da República».

«Já disse noutra ocasião que é algo semelhante àquilo que fiz quando era primeiro-ministro que, em relação à lei das privatizações, pedi ao Presidente da República para eliminar incertezas jurídicas que submetesse à apreciação preventiva do Tribunal Constitucional», adiantou.

Depois de receber os diplomas e se optar por essa via, Cavaco Silva terá oito dias para requerer a apreciação preventiva da constitucionalidade e os juízes 25 dias para decidir, um prazo que pode ser encurtado se o chefe de Estado invocar motivo de urgência.

De acordo com a informação disponível esta manhã no site da Assembleia da República os diplomas ainda não foram enviados para promulgação.