O primeiro-ministro considerou, este sábado, que a reforma na saúde só foi possível fazendo «ouvidos moucos» aos putativos pais do Serviço Nacional de Saúde, afirmando que o ranking dos hospitais públicos comprova que «foi possível usar melhor os recursos».

Coimbra tem o melhor hospital do país

«Esta reforma da saúde não era possível se o Governo não estivesse absolutamente determinado em prossegui-la. Se não estivéssemos a dar, como se costuma dizer, ouvidos moucos a todas aquelas vozes fatídicas de todos os pais que já existiram putativamente do Serviço Nacional de Saúde e que nos acusam de destruir tudo», afirmou Pedro Passos Coelho.

O primeiro-ministro falava no encerramento da conferência «Estratégia e Gestão dos Fundos Comunitários - Portugal 2020», e sublinhou a importância das reformas em curso, que considerou imprescindíveis para «libertar o país» e garantir que não se deixa tudo como está.

Para o chefe do Governo, a reforma da saúde «tem conseguido garantir resultados que são extremamente positivos», mas que, no entanto, quando se ouve o debate público «dá a impressão que estamos à beira do caos».

Passos Coelho falou do ranking dos dez melhores hospitais, explicando que este estabelece que «várias instituições na área da saúde têm sido de excelência» e que apesar de não haver mais dinheiro, «foi possível usar melhor os recursos» existentes.

«Estes 10 melhores conseguiram obter melhores resultados, alguns deles fazendo transformações muito importantes e reformas muito importantes», disse.

O primeiro-ministro salientou ainda o facto de a instituição hospitalar que ficou à frente «foi justamente, de entre todas, aquela que procedeu a uma reestruturação mais importante».

«O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra fez uma reforma, a partir de 2011, extremamente ambiciosa», destacou, considerando que isso comprova que aquela oferta do Serviço Nacional de Saúde foi qualificada.

Na opinião de Passos Coelho, «é possível dar nas vistas fazendo melhor, organizando melhor os recursos, abalando, portanto, a ordem previamente existente».

«Isto é o que de mais importante um Governo que esteja a pensar no futuro e não meramente nas eleições tem de fazer», enfatizou.

«Aproximação com PS existiu e é bom que se saiba que aconteceu»

No que respeita aos tribunais e ao novo mapa jurídico, Passos Coelho disse que o Governo não receia as providências cautelares com que foi ameaçado.

«Hoje há muito o hábito de quando se perde politicamente o debate, pôr os juízes e os tribunais a decidirem o debate político. Ora não é isso que nós queremos. Quem procede assim não oferece uma perspetiva de democracia aprofundada para o futuro», disse o primeiro-ministro, para quem não é possível «andar sempre a recorrer aos tribunais».

«Não é isso que queremos e estou certo não é isso que os magistrados querem, não é serem envolvidos na disputa da política», reiterou.

«Compete-nos a nós liderar e não ter medo das providências cautelares, de toda a gente que fica aborrecida. Nós temos de avançar. Mas queremos avançar de uma forma que possa ser cúmplice e cooperante com todas as instituições», garantiu.

O governante deu o exemplo da urgente e necessária «ampla reorganização dos serviços de finanças e de segurança social no país», sabendo o Governo à partida que vai ter «um processo delicado para gerir».

«Vamos fazer esta discussão dentro da luta político-partidária, arremessando argumentos uns contra os outros ou vamo-nos sentar à volta de uma mesa a discutir como é que podemos servir melhor as pessoas com estas reformas que são inevitáveis?», questionou.