O ministro da Defesa Nacional e o general Garcia Leandro envolveram-se esta quinta-feira numa troca de críticas, com Aguiar-Branco a rejeitar ter afirmado perante o militar na reforma que desconhecia a área que tutela desde 2011.

Num comunicado enviado às redações, José Pedro Aguiar-Branco afirmou que esteve com Garcia Leandro «uma única vez, ao longo do mandato» e que «em momento algum foi proferida a frase que bombasticamente lhe é imputada ou as restantes considerações relatadas pelo senhor tenente-general», cita a Lusa.

Aguiar-Branco referia-se a declarações do ex-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, em entrevista à Antena 1, divulgada e na qual Garcia Leandro afirma que o ministro lhe disse, em outubro de 2011, que desconhecia a área da Defesa:

«Disse-me assim: 'Sabe, isto é muito difícil para mim, porque se fosse ministro da Justiça era mais fácil. Agora aqui não conheço. Agora, aqui são as pessoas que vêm falar comigo e me dizem o que tenho a fazer, portanto estou um bocadinho com os pés no ar. Mas, ao mesmo tempo, é muito bom, porque eu, não percebendo nada disto, tenho mais capacidade para fazer reformas'».

Sobre a atuação do ministro Aguiar-Branco à frente da pasta da Defesa Nacional, Garcia Leandro considerou que «falha em tudo» e criticou reformas feitas «tipo tsunami»

No comunicado divulgado à tarde, o ministro da Defesa Nacional afirmou «não ter sido possível acomodar, no processo de reforma em curso, as muitas vontades do senhor tenente-general» e acrescentou que «não é ministro com a tutela das preferências pessoais» de Garcia Leandro.

Aguiar-Branco aludiu ainda às «múltiplas e repetidas expressões públicas de discordância» de Garcia Leandro e às suas «aparições em campanhas publicitárias contra a reforma em curso», afirmando que respeita a liberdade de expressão e «nunca se sentiu incomodado».

Na entrevista à jornalista Maria Flor Pedroso, Garcia Leandro teceu duras críticas ao Executivo PSD/CDS-PP, considerando que «são pessoas com pouca experiência do Estado».