«Foi uma guerra de políticas. E era um ministro ou o outro». É desta forma que o antigo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, culpa Paulo Portas pela sua saída do Governo, em julho do ano passado. Vice-primeiro-ministro é considerado uma pessoa com «enorme ambição», diz ex-governante.

Segundo o «Correio da Manhã», Gaspar reconhece, em entrevista a Maria João Avillez ¿ agora publicada em livro ¿ que os problemas da sétima avaliação da troika e o «cisma grisalho» de Portas, que ditou a rejeição da TSU dos pensionistas para compensar o chumbo do TC ao corte dos subsídios de férias e Natal da função pública, ditaram a sua saída do Governo.

Nesta entrevista, citada esta terça-feira na imprensa nacional, o ex-governante compara ainda as consequências da sua demissão com a do atual vice primeiro-ministro. Gaspar diz que a sua saída foi preparada de uma forma profissional e, por isso, o impacto nos mercados foi muito pequeno.

Já o anúncio de demissão de Paulo Portas, na altura ministro dos Negócios Estrangeiros, teve outra leitura. Já «a saída de Paulo Portas e o impacto que teve nos mercados mostra a força e a relevância política. As taxas de juro a dez anos ultrapassam os 7%, no dia seguinte ao anúncio», realça Gaspar.

O antigo ministro diz ainda que a reforma do Estado não avançou mais cedo porque tem custos para os interesses organizados que, segundo Vítor Gaspar, estão solidamente enraizados desde o Estado corporativo construído por Salazar.

«Os processos de reforma têm sempre custos bem identificados sobre grupos de interesses organizados. E estes são, em Portugal, extremamente poderosos. Estão ¿ julgo eu ¿ solidamente enraizados na estrutura do Estado corporativo construída por Salazar. Como é que grupos de interesses particulares e minoritários podem bloquear reformas de interesse geral?», interroga.