A conferência de líderes agendou para a próxima quinta-feira o debate, no Parlamento, da moção de censura apresentada pelo PEV, disse esta sexta-feira o deputado ecologista José Luís Ferreira. O deputado do PEV falava aos jornalistas após uma curta conferência de líderes, de cerca de dez minutos, que teve lugar depois do debate do estado da Nação, para discutir o agendamento da moção de censura.

A deputada do PEV Heloísa Apolónia anunciou, esta sexta-feira, a apresentação na próxima semana de uma moção de censura ao Governo, «cuja maioria não representa mais a população portuguesa».

«Os Verdes apresentarão no início da próxima semana uma moção de censura ao Governo, cuja maioria não representa mais a população portuguesa», afirmou a deputada ecologista, durante o debate do «estado da Nação», no Parlamento.

Passos Coelho não se demite nem receia moções de censura: «Muito bem-vinda a moção de censura», disse a Heloísa Apolónia, acrescentando que o Governo tem o apoio de «uma maioria coesa».

Passos havia-se queixado de que Apolónia não «valorizava» as vitórias da economia portuguesa. «A obrigação de todos nos é valorizar o que de positivo temos», explicava Passos Coelho.

Passos tirou um coelho da cartola a meio do debate: «Portugal foi o país com o terceiro maior crescimento homólogo na produção industrial», ao que Heloísa Apolónia comentou: «É sempre um anúncio no meio da tempestade que a recuperação está para breve». Os números do Eurostat foram apresentados no final da resposta a João Semedo, do Bloco de Esquerda, que afirmou que o «governo acabou».

«O Governo morreu, o Governo acabou. É este o estado do Governo», disse João Semedo.

«Como é que quer manter um Governo vivo depois destes três golpes». E «pior que não perceber que o governo acabou, é não perceber» porquê: «acabou pela política de austeridade e governantes que não respeitam a sua própria palavra». João Semedo enumerou a demissão de Gaspar, depois a demissão de Portas e a declaração de Cavaco Silva como os três golpes.

«Deixe-me terminar dizendo: desista, o pais agradece», fechou João Semedo.

Passos defendeu-se, numa declaração que foi dirigida ao PS também: Tenho «dificuldade em compreender como é que há partidos que acham que para se fechar o programa de assistência financeira se deve falar com o BE».