Debate do Estado da Nação 2013, de um país mergulhado numa crise política, na Assembleia da República, esta sexta-feira. Passos Coelho apela ao entendimento e ao compromisso de salvação proposto por Cavaco Silva.

O Governo está em peso, incluindo Paulo Portas, que faltou aos últimos dois conselhos de ministros, que surge do lado direito de Passos Coelho, e Maria Luís Albuquerque à esquerda do primeiro-ministro. Seguro não está presente no hemiciclo à hora do início do debate. «Estabilidade» é a palavra, num discurso em que Passos reafirma que não se demite.

«Nestes últimos dois anos percorremos um caminho difícil. Os Portugueses Têm sofrido os feitos da ruptura financeira a que chegamos em 2011, com uma crise económica e o aumento do desemprego. O exercício da governação nestas circunstâncias é particularmente difícil porque implica escolhas muitas vezes dolorosas». As primeiras palavras do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que mostra um semblante carregado.

Depois de arrancar as primeiras palmas de apoio da bancada do PSD, Passos fala da «estabilidade».

«Sabemos que a estabilidade é um bem precioso, sobretudo em circunstâncias como as nossas. Aqui falo de uma estabilidade ativa, dirigida para a resolução de problemas do país, para o cumprimento dos nossos compromissos externos e para operar a viragem do ciclo económico. Não falo de uma estabilidade vazia, puramente circunstancial. Falo da estabilidade indispensável para ultrapassar a crise nacional».

Mais uma salva de apoio das bancadas à direita em contraste com o silêncio do PS e restante esquerda que ouvia atentamente. Passos falava há mais de dez minutos, Seguro já ouvia.

Mas, Passos havia de aprofundar mais a estabilidade no seu discurso: «As palavras do Senhor Presidente da República de apelo veemente ao compromisso entre os três partidos que subscreveram o programa de assistência devem ser escutadas à luz destes grandes desafios. É com toda a abertura democrática que quero agora traduzir essas palavras em atos concretos».

«Cabe-me agora renovar o meu empenho na concertação de um entendimento entre esses três partidos e responder ao desafio que nos é colocado a todos. Para isso não precisamos de anular as divergências políticas entre a coligação que suporta o governo e o Partido Socialista». Mas quer colocar as divergências de lado e: «Para chegarmos a acordo é suficiente que nos concentremos nas necessidades do país».

«Esse compromisso é mais urgente do que nunca». Passos fala direto ao PS.

E reitera que não se demite: «Não podemos desistir perante as adversidades. Assumo hoje, como sempre assumi, a responsabilidade que me foi confiada pelos portugueses, a de conduzir a governação de Portugal num dos momentos mais complexos da sua história democrática».

Um discurso que termina com uma ovação de pé das bancadas da maioria. Passos termina dizendo: «o país primeiro, é assim para todo o governo, mas terá de ser assim também para a oposição».