António Pires de Lima espera que a solução de Governo apresentada pelo primeiro-ministro a Cavaco Silva esta sexta-feira ao fim da tarde «seja suficiente para convencer o Presidente da República a prosseguir caminho e evitar eleições antecipadas».

Sem entrar em pormenores sobre qual será essa solução, que espera que seja «sólida e inequívoca», o presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, que ainda se reúne esta noite, informou que falou com Paulo Portas após o «susto» da sua demissão e deu a entender que o aconselhou a ficar no Governo.

«Dei-lhe um conselho no sentido de resolver rapidamente esta crise e assegurar uma solução sólida e estável, que não deixe dúvidas a ninguém sobre a estabilidade desta coligação até outubro de 2015», afirmou, em entrevista no Jornal das 8 da TVI.

Pires de Lima defende que «um relacionamento diferente entre Passos Coelho e Paulo Portas», para que a «definição de prioridades do Governo seja alinhada» entre os líderes do PSD e do CDS e admite que «há aspetos importantes que deviam ser melhorados e retificados na estrutura» do Executivo. No entanto, sublinhou que tem um «enorme prazer» na sua vida profissional e que não quer «alimentar ainda mais especulações» sobre a possibilidade de assumir a pasta da Economia. Aliás, chegou mesmo a dizer que Álvaro Santos Pereira tem feito «um trabalho de resistência» que admira.

Sobre a demissão de Portas na terça-feira, o democrata-cristão ficou «angustiado». «Preferia que não tivesse acontecido, mas compreendo aquilo que lhe pode passar na cabeça, na alma, e o seu sentido de exigência em relação aos dois próximos anos», acrescentou.

Para Pires de Lima, «é preciso agora marcar um segundo ciclo de governação com prioridade para a Economia», que deve «integrar as preocupações do CDS».

Sobre o papel de Cavaco, o empresário reconhece que o Presidente tenha ficado «perplexo e muito incomodado» com a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros. «Agora estará muito preocupado e tem de ter espaço e tempo para decidir, sem qualquer tipo de pressão, aquela que entende ser a melhor solução», explicou.

Pires de Lima espera que seja ainda possível «evitar a todo custo um cenário de crise política que descambe num segundo resgate». «Apesar das tensões que existem e dos episódios que preferíamos que não se tivessem verificado, Passos e Portas, com as suas diferenças, têm assegurado a estabilidade da coligação», defendeu, notando que ainda na segunda-feira o líder do CDS tinha sido nomeado número 2 do Governo.

Questionado sobre a vida interna do partido, Pires de Lima defendeu a continuidade de Paulo Portas na liderança. «O pior que poderia acontecer ao CDS é discutirmos a liderança que existe e que foi sufragada em congressos de forma muito substancial», afirmou.

No entanto, o presidente do Conselho Nacional do CDS, que não admite candidatar-se à liderança do partido, avisou Portas que o seu futuro será analisado «em função dos resultados desta negociação». «Espero que este período complicado da governação se resolva, se possível já durante a próxima semana, para que o congresso, dentro de duas semanas, possa fazer um juízo de valor da liderança e do futuro caminho do partido», concluiu.