O politólogo José Adelino Maltez atribuiu, esta quarta-feira, a escolha de Rui Machete como ministro dos Negócios Estrangeiros à necessidade de dar «garantias de sabedoria» e experiência a um Governo que era visto como imaturo.

Num comentário pedido pela Lusa, o professor catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas disse que a escolha de alguém como Rui Machete não é inédita. «Trata-se de uma repetição do gesto de José Sócrates, que também foi buscar um ilustre administrativista e um ex-chefe de partido para o lugar em causa», disse o investigador, numa referência ao fundador do CDS Freitas do Amaral, que ocupou a pasta da diplomacia entre 2005 e 2006.

Para Adelino Maltez, a nomeação de Machete é «a escolha de um senador que dá garantias de sabedoria e experimentação num governo que era acusado de imaturo e de [ser composto por] 'jotas'». «De vez em quando há históricos que estão disponíveis para enquadrar estes processos», afirmou.

O professor disse ainda ter curiosidade de ver o que vai acontecer no futuro da política externa portuguesa.

Recordando que o Ministério dos Negócios Estrangeiros serve para gerir a política externa portuguesa e que 80% da política externa portuguesa «é gasta com assuntos europeus», Adelino Maltez afirmou que o anterior ministro da tutela, Paulo Portas, não teve «praticamente nenhuma intervenção em política europeia».

«Quero ver como vai ser uma ida a um Conselho Europeu. Se finalmente o primeiro-ministro se faz acompanhar do ministro dos Negócios Estrangeiros e qual vai ser o ativismo [de Rui Machete] naquilo que é essencial dos negócios estrangeiros de Portugal: a política europeia».

Adelino Maltez sublinhou ainda a «ironia» de ser o Presidente da República, Cavaco Silva, a dar posse a Rui Machete. «Lembro-me de que ele era líder do PSD antes de chegar o furacão Cavaco Silva», recordou.

Depois de ter sido vice-primeiro-ministro por apenas dez dias em 1985, o ex-líder do PSD Rui Machete, de 73 anos, regressa agora ao Governo como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cargo em que substitui o líder democrata-cristão, Paulo Portas.

Neste interregno de quase 30 anos, Rui Machete ocupou, entre outros, o cargo de presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) durante 22 anos.