O deputado e candidato socialista à presidência da Federação Distrital de Coimbra, Mário Ruivo, anunciou que vai impugnar as eleições marcadas para o próximo sábado por violação dos estatutos e regulamentos eleitorais.

Em declarações à agência Lusa, o socialista acusou a Comissão Organizadora do Congresso (COC) de não ter cumprido os prazos na emissão dos cadernos eleitorais e de não ter tido acesso a este documento, ao contrário do seu opositor e das duas candidatas às Mulheres Socialistas.

«O atual presidente e recandidato teve acesso à listagem de militantes do colégio eleitoral no dia 08 de agosto em suporte digital e as candidatas às Mulheres Socialistas em suporte papel, enquanto a minha candidatura não teve acesso a nenhum caderno eleitoral», denunciou Mário Ruivo.

O candidato disse ainda que as candidaturas só poderiam ter conhecimento dos cadernos eleitorais no dia 18 de agosto, mas que a lista opositora, liderada pelo atual presidente Pedro Coimbra, teve acesso no dia 08 e as distribuiu pelos seus elementos.

Segundo o socialista, «os prazos de afixação das listagens e cadernos eleitorais nunca foram cumpridos, havendo muitos casos em que nunca foram sequer afixados nas respetivas sedes, o que inviabilizou a possibilidade de reclamação dos militantes que não constem dos cadernos, bem como a própria elaboração de listas de delegados ao congresso e o envio de correspondência eleitoral».

Mário Ruivo denunciou ainda que desde a apresentação da sua candidatura, a COC nunca convocou nenhum elemento da sua lista para estar presente nas suas reuniões, «nem nunca informou da data e hora das reuniões, o que permite concluir que uma lista possa presumir que os prazos são para cumprir só por uma candidatura».

Esta situação, segundo o deputado socialista, «configura um claro atropelo ao Regulamento Eleitoral Interno do Partido e à própria democracia».

Antes, a Comissão Organizadora do Congresso (COC) para a distrital do PS de Coimbra já tinha garantido que o processo eleitoral decorre com «todo o rigor, transparência e seriedade», depois de alguns militantes terem levantado dúvidas sobre as eleições.

Maria de Lurdes Castanheira, presidente da COC e também da Câmara Municipal de Góis, afirmou hoje, em conferência de imprensa, sentir-se desgastada e desencantada com «algumas insinuações» e disse que este órgão está a agir em «pleno cumprimento» das suas competências.

Lembrou ainda que os «ataques infundados» magoam e ferem os elementos da COC, que têm demonstrado «grande disponibilidade, dedicação, rigor e transparência».

«Todos os militantes da COC são pessoas que têm pautado a vida pela correção, honestidade e seriedade», disse ainda Maria de Lurdes Castanheira, enfatizando que este órgão foi eleito em Comissão Política e que não vai agora a votos.

A dirigente socialista também «descansou» os militantes e explicou que em cada mesa de voto haverá um delegado de cada candidatura.

Concorrem à presidência da Federação Distrital de Coimbra o atual líder, Pedro Coimbra, e ainda Mário Ruivo, apoiantes de António José Seguro e António Costa, respetivamente.

Podem votar aproximadamente 5.500 militantes, de um universo de oito mil. A lista de Pedro Coimbra apresenta lista em 84 secções e a de Mário Ruivo em 57, foi ainda anunciado na conferência de imprensa que a Lusa relata.