A eurodeputada do PS Edite Estrela considerou esta terça-feira «lamentável» a intervenção do centrista Nuno Melo durante a votação do relatório sobre direitos sexuais das mulheres e de precisar de fazer «prova de vida» no Parlamento Europeu.

«No que diz respeito à atitude do deputado Nuno Melo, ele teve necessidade de fazer uma prova de vida aqui no Parlamento Europeu. Como dizia ontem o Martin Schulz [presidente do Parlamento Europeu], eu sou a deputada mais famosa do Parlamento Europeu, até tenho direito a manifestações e a mais de 80.000 e-mails, há outros que ninguém sabe quem são», afirmou a socialista aos jornalistas, depois de ver rejeitado em plenário o seu relatório.

Após a votação em plenário da resolução do Partido Popular Europeu, que na prática «chumbou» o relatório de Edite Estrela, o eurodeputado do CDS-PP Nuno Melo deixou críticas veementes à intervenção da socialista.

Nessa réplica, a única por parte de populares e conservadores, Melo acusou Edite Estrela de ser «uma democrata de circunstância» ao criticar a posição da maioria e de ter proferido palavras que devem «envergonhar os socialistas».

«Em democracia ganha-se e perde-se, um verdadeiro democrata aceita e conforma-se com as votações dos plenários quando é derrotado, tal qual fica satisfeito quando é vencedor. Não admito que nos insultem de hipócritas, a deputada Edite Estrela tem direito à sua opinião, tal qual eu tenho direito à minha opinião, não a insulto por muito que a considere radical», afirmou o centrista.

Para a eurodeputada do PS, a posição de Nuno Melo é «lamentável»: «Deputados que nem sequer pertencem à Comissão de Direitos da Mulher e Igualdade de Género prestaram-se a esse papel.»

«Acho que tudo isto tem uma leitura política e que deve ser feita pelos eleitores que devem no momento da votação pensar que não é indiferente eleger uns ou outros deputados para o Parlamento Europeu», acrescentou.

O Parlamento Europeu inviabilizou hoje a votação em plenário de um relatório da eurodeputada socialista Edite Estrela para reforçar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, depois de aprovar uma resolução de deputados do Partido Popular Europeu.

O relatório de Edite Estrela, cuja votação já tinha sido adiada em outubro e sofreu algumas alterações, aprovadas em comissão a 26 de novembro, defendia o acesso a serviços de interrupção voluntária da gravidez legais e seguros e uma educação sexual abrangente em toda a União Europeia.