O PSD defendeu hoje que os dados do boletim de verão do Banco de Portugal reforçam a ideia de que a economia portuguesa está num «ponto de viragem» e manifestou expectativa de que isso se reflita no emprego. Já a oposição não teve a mesma interpretação dos números.

Esta posição foi assumida pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

«Não é razão para termos aqui uma atitude triunfalista, temos de ter alguma prudência, mas começam a ser já vários os sinais consistentes de que a nossa economia está num ponto de viragem e de que o esforço que os portugueses têm feito e os sacrifícios que têm feito estão a valer a pena. E há toda a expectativa de que se possa refletir também no mercado de emprego», declarou Luís Montenegro.

Segundo Luís Montenegro, os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal «reforçam a convicção» de que a economia portuguesa está «num ponto de viragem» e são «um sinal de confiança relativamente ao rumo» percorrido nos últimos dois anos de governação PSD/CDS-PP, apesar da revisão em baixa da previsão de crescimento para 2014 de 1,1% para 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), que foi desvalorizada.

O líder parlamentar do PSD destacou que «o Banco de Portugal prevê uma recessão menos acentuada já durante o ano de 2013», de 2% em vez 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), no mesmo sentido de «outras entidades».

A este propósito, aproveitou para mencionar que «um estudo recente» da Universidade Católica indica que «o segundo trimestre terá sido já um trimestre em que o PIB terá crescido, depois de dez trimestres consecutivos a decrescer».

De acordo com o social-democrata, «o setor exportador» português está a ter «um comportamento muito consistente, muito positivo, que é, de resto, o mais positivo de toda a zona euro», e as contas externas prosseguem uma tendência «muito positiva» nos próximos anos.

«Portanto, significa que a nossa economia está a ter capacidade de resposta perante as dificuldades», sustentou.

Quanto à evolução económica estimada para o próximo ano, Luís Montenegro disse que «é verdade quem relativamente a 2014, há uma previsão em baixa», mas acrescentou que, «ainda assim, se trata de um ano em que o Banco de Portugal prevê que possa haver crescimento económico».

«Em segundo lugar, a justificação para essa revisão tem muito a ver com capacidade de reformar Assuntos Parlamentares, nomeadamente a forte diminuição da despesa pública», referiu.

Por sua vez, o CDS-PP defendeu hoje que o boletim de verão revela «sinais» ainda «frágeis» de que o país poderá estar numa «fase de viagem», que devem «ser protegidos» e não «postos em causa».

«Na medida em que são sinais que podem abrir a porta a uma viragem, a uma nova fase mais centrada na economia, mais centrada nas empresas, sobretudo mais centrada numa fase mais dedicada ao investimento e dedicada à estabilização da procura interna é essencial que estes sinais sejam protegidos e não sejam postos em causa», afirmou Cecília Meireles.

A deputada do CDS-PP disse aos jornalistas no Parlamento que, «numa primeira análise» dos dados revelados pelo BdP, «salta aos olhos» que existem «alguns sinais» que indicam que se pode estar «perante uma nova fase, uma fase de viragem».

«São muito ténues, é certo, são primeiros sinais, frágeis, ainda, mas que se vêm juntar a outros, como os da produção industrial. Falo dos dados da evolução do PIB para este ano e dos dados das exportações»,afirmou.