O Presidente da República questionou hoje a razão por que analistas e políticos dizem que a dívida portuguesa não é sustentável, considerando que essa atitude é «masoquismo».

«Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas durante uma visita de Estado que está a realizar desde terça-feira à Suécia.

Sublinhando que os próprios credores, a comissão, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Europeu dizem que «é sustentável», Cavaco Silva questionou por que são os próprios portugueses, que são os «devedores», a dizer que não é sustentável. «Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo», afirmou.

Sobre os resultados das autárquicas, o Presidente da República insistiu que as eleições locais têm «uma interpretação local», sublinhando que Portugal deve ser «um país normal» e seguir essa regra, assim como os governos devem cumprir os seus mandatos até ao fim.

«Portugal deve ser um país normal e os nossos parceiros europeus acham que Portugal deve ser um país normal, isto é, um país em que eleições locais têm um significado local e não mais do que isso», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas em Estocolmo, durante a visita de Estado que realiza à Suécia desde terça-feira.

Revelando que nos encontros que teve com o primeiro-ministro e os ministros suecos o resultado das eleições autárquicas foi um dos temas abordados, Cavaco Silva adiantou que lhes transmitiu que, «como é normal em todos os países da União Europeia, eleições locais são eleições locais e têm uma interpretação local e não mais do que isso».

«Tal como lhes disse que, como é normal na maioria dos países da União Europeia, os governos eleitos devem completar os seus mandatos e disse-lhes que é isso que deve acontecer em Portugal», acrescentou, reiterando que a estabilidade política é fundamental para um país que está a implementar um programa de ajustamento.

Cavaco Silva disse ainda que os mercados e os outros países «olham com atenção para esse aspeto» e «esperam que Portugal seja nesta matéria um país normal, que não seja uma exceção».

Ou seja, o «Governo eleito para quatro anos deve completar os seus mandatos de quatro anos», precisou.