O Presidente da República considerou esta quarta-feira que a situação na Ucrânia é «muito delicada». Aníbal Cavaco Silva sublinhou a necessidade da União Europeia manter abertura para o diálogo com os parceiros ocidentais e a Rússia.

«É uma situação muito delicada, em que a União Europeia tem de se apresentar unida e com abertura para o diálogo com os seus parceiros ocidentais, mas também deve manter um diálogo com a Rússia sobre essa matéria de tão grande delicadeza», afirmou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas em São Francisco, na Califórnia, EUA.

Sublinhando que a situação na Ucrânia tem «um problema de alguma dificuldade porque resulta da sua posição geoestratégica», Cavaco Silva enfatizou que Portugal acompanha a posição da União Europeia de que tudo deve ser feito para evitar a desagregação do país.

«É fundamental manter a Ucrânia unida», insistiu Cavaco Silva.

De acordo com a Lusa, o Presidente apontou como pontos positivos a libertação da antiga primeira-ministra Iulia Timochenko e o estabelecimento de possibilidades para «a criação de uma verdadeira democracia naquele país».

«Mas, existem dificuldades e há que ter muito cuidado no diálogo que é preciso manter com a Rússia, que é o vizinho da Ucrânia. Agora, as imagens foram terríveis aquelas que nos chegaram, verdadeiramente chocantes», acrescentou.

O líder de protestos pró-União Europeia na Ucrânia Arseni Iatseniuk foi esta quarta-feira proposto para o cargo de primeiro-ministropelo «Conselho de Maidan», que reúne os líderes políticos da contestação ucraniana, da sociedade civil e dos grupos radicais.

O anúncio, feito na emblemática Praça da Independência (Maidan), no centro de Kiev, perante dezenas de milhares de pessoas, deverá ainda ser confirmado no parlamento na quinta-feira, depois de uma votação sobre o novo Governo ucraniano prevista para terça-feira ter sido adiada.

A Praça da Independência tem sido o epicentro de três meses de protestos na Ucrânia que culminaram com a deposição do Presidente Viktor Ianukovich, juntamente com todo o Executivo.

Arseni Iatseniuk foi proposto como chefe de um novo Governo ucraniano até à realização de eleições presidenciais, previstas para maio