O secretário-Geral do PS recusou nesta quinta-feira comentar a demissão de Henrique Granadeiro da Portugal Telecom, mas manifestou «preocupação pela fragilização da PT» face ao financiamento de quase 900 milhões ao BES e à fusão com a Oi.

«A grande preocupação pela fragilização da PT, motivada por esse financiamento enorme» de quase 900 milhões de euros feito ao Grupo Espírito Santo foi hoje manifestada por António José Seguro, que recusou comentar a demissão do administrador da PT, Henrique Ganadeiro, por desconhecer as razões que a motivaram.

No Bombarral, onde hoje à noite janta com militantes do partido, no Festival Nacional do Vinho, o secretário-geral do PS fez questão de «registar negativamente» a situação da Portugal Telecom, que «neste processo de fusão com a OI perdeu liderança e passou de uma posição de 37% para um aposição de 25%».

Atendendo a que a PT detém a rede nacional de telecomunicações, António José Seguro considerou tratar-se de «uma das matérias que precisam de ter acompanhamento por parte dos responsáveis políticos, porque tem um impacto muito grande, quer na economia, quer no espetro das telecomunicações no país».

António José Seguro reagia à demissão do presidente executivo da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, que renunciou hoje aos cargos de presidente do conselho de administração e da comissão executiva da PT SGPS.

Em declarações aos jornalistas, o líder o PS defendeu ¿uma rutura profunda¿ e a separação dos sistemas económico e político, para acabar com ¿a desconfiança e a descrença enorme¿ em relação às insitituições nacionais, que disse sentir nos portugueses.

«Situações como o BPN, o BES, BPP e o BCP não ajudam e é por isso que acho que esta situação do BES e do GES, precisa de ser muito bem esclarecida», afirmou, defendendo que os portugueses têm direito «a conhecer a verdade».

Para António José Seguro, o facto de o Governo ter, em 24 horas, passado de um financiamento de 4,4 milhões ao BES, para 3,9 milhões «prova que a solução encontrada (...) precisa de ser acompanhada porque não está isenta de resvalar para situações em que sejam todos os portugueses a pagar os erros dos privados».

O líder do PS sublinhou ainda que, no que diz respeito à regulação e supervisão dos sistemas bancários, «alguma coisa falhou» e que «se houve promiscuidade entre o sistema financeiro e economia ou política, que venha tudo ao de cima» e que «os responsáveis sejam julgados».