O consultor do Presidente da República David Justino recusou esta terça-feira comentar a falta de entendimento entre partidos para um consenso governativo, como pretendia Cavaco Silva, dizendo que se limitou a fazer o seu trabalho «com a melhor das intenções».

«Eu fiz o meu trabalho, tentei ser profissional naquilo que o senhor Presidente da República fez. Agora eu não tenho estados de espírito relativamente a estes processos e também não foi com estados de espírito que estive presente. Faço uma análise, que transmiti ao Presidente, devidamente fundamentada, mas como é natural não a vou divulgar», disse David Justino, à saída de uma audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República.

David Justino, que foi ministro da Educação no Governo de Durão Barroso, foi ouvido pelos deputados na qualidade de candidato à presidência do Conselho Nacional de Educação.

O consultor de Cavaco Silva diz que esteve no processo «com a melhor das intenções» e, quando questionado sobre se antecipava o desfecho de um entendimento falhado, como se veio a verificar, Justino disse apenas: «Nestas coisas não sou dado a funções de oráculo, não me ponho a adivinhar», cita a Lusa.

O Presidente da República anunciou no domigo, em comunicação ao país, que, falhado o acordo entre a maioria PSD/CDS-PP e o PS, que tinha proposto, considera que «a melhor solução alternativa é a continuação em funções do atual Governo, com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura».

O país viveu uma crise política ao longo de três semanas, iniciada com a demissão do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e depois agravada pelo pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que é também o líder do CDS-PP, partido que suporta a coligação da maioria governamental.