A Fórum Manifesto (ex-Política XXI), corrente fundada por Miguel Portas e à qual pertence a ex-deputada Ana Drago, decidiu este sábado, em assembleia geral, por larga maioria, desvincular-se do Bloco de Esquerda e contribuir para «novas plataformas políticas abrangentes».

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Na resolução política agora aprovada, citada pela Lusa, salienta-se que «as derrotas consecutivas que o Bloco de Esquerda acumulou nos últimos anos, e que o conduziram à magra expressão eleitoral obtida nas últimas eleições europeias, não são um reflexo de fatores externos», mas resultado «da acumulação de erros não corrigidos, inscritos numa orientação política que divorciou crescentemente o BE do seu potencial eleitorado».

«Perante a opinião pública, o Bloco vincou, ao longo dos últimos anos, a imagem de um partido cada vez mais virado sobre si próprio, indisponível para o diálogo e para a convergência com outras forças políticas à esquerda; centrado no protesto, e por isso indisponível para estabelecer compromissos efetivos de governação, revelando uma insuficiente, inconsistente e até, por vezes, contraditória construção programática. Isto é, um partido que surge aos olhos dos cidadãos como incapaz de responder, com realismo, credibilidade e determinação, aos problemas e desafios com que o país se confronta de forma dramática e urgente», acrescenta a resolução do Fórum Manifesto, corrente considerada dentro do BE a mais próxima dos valores da social-democracia, tomando como comparação o PSR e a UDP.

Na resolução, vinca-se que, apesar de haver uma decisão coletiva de desvincular a corrente Fórum Manifesto do Bloco de Esquerda, se alguns dos seus membros assim o entenderem, individualmente, poderão permanecer ao lado dos bloquistas.

No plano político, os responsáveis da Associação Fórum Manifesto (antiga Política XXI) fizeram também uma síntese histórica sobre a participação deste movimento entre o conjunto de forças que integraram desde o início o Bloco de Esquerda.

Ao ajudar a fundar o Bloco de Esquerda, os membros do Manifesto referem que tiveram como principal objetivo criar uma nova força destinada a «quebrar o bloqueio então existente, entre um PS alinhado com o centro político e um PCP indisponível para a governação».

«Na sua génese, o Bloco assume pois, como compromisso matricial, o papel da construção de pontes e do fomento do diálogo entre as esquerdas, procurando nesses termos estimular um processo comum de renovação programática, capaz de superar os bloqueios gerados pela crise da social-democracia e pela queda do muro de Berlim. Passada quase década e meia da sua existência, constata-se porém o abandono consciente e reiteradamente afirmado nos últimos anos da missão política em que assentou a criação do Bloco de Esquerda», criticam os membros da Associação Fórum Manifesto.

Com base sobretudo nesta circunstância, a Associação Fórum Manifesto «considera esgotada a sua participação enquanto corrente fundadora do Bloco, decidindo assim pela sua desvinculação a este projeto político».

A partir de agora, a prioridade da corrente Manifesto passará por «desenvolver outros espaços de intervenção política, capazes de contribuir para a formação de convergências fortes e credíveis à esquerda do PS, com claros objetivos de influenciar a governação do país neste momento de urgência nacional».

«Decide assim promover, ao longo dos próximos meses, iniciativas concretas nesse sentido, tendo como horizonte imediato as próximas eleições legislativas previstas para 2015. O Conselho Geral da Associação Fórum Manifesto fica mandatado para desenvolver estes esforços, cabendo a uma próxima assembleia geral a discussão e deliberação acerca dos seus resultados», acrescenta o documento.