A corrente bloquista de Luís Fazenda (ex-UDP) Esquerda Alternativa reúne-se sábado para discutir contributos à Convenção Nacional de novembro, propondo o aumento da democracia interna e que o partido se recuse a «embelezar» um governo PS.

Intitulado «Bloco de volta - Recuperar a Confiança», o documento, subscrito pelos deputados Luís Fazenda (ex-UDP, um dos partidos fundadores do BE) e Helena Pinto, e pelos dirigentes Humberto Silveira e Sandra Cunha constata que o partido está «enredado num ciclo de consecutivas derrotas eleitorais» e que «perdeu um significativo capital de confiança, também por culpa própria».

«Urge regressar às origens e recuperar a identidade do Bloco num novo contexto político. A combatividade, a irreverência e a criatividade», afirmam os subscritores, que mantém que o partido deve estar «apontado ao socialismo».

«A promessa inicial do Bloco foi a de `nada esperar do PS e não ficar à espera do PCP¿. Era a afirmação de que a transformação à esquerda não está na dependência do PS, nem refém de uma liderança hegemónica do PCP. Essa é a identidade que temos de recuperar, para recuperarmos a confiança das pessoas», propõe aquela corrente.

«Não obstante o apoio popular ao PS de setores da esquerda com quem devemos dialogar, é errado desejar que o Bloco possa embelezar um governo à Hollande em Portugal. Não é por esta agenda política que passa a alternativa», defendem.

Entre as medidas para aumentar a democracia no partido, a corrente de Luís Fazenda propõe a consagração do mecanismo de referendo, que passaria a poder ser convocado por 5 por cento do total dos militantes, e que a decisão sobre o apoio a uma candidatura presidencial seja tomada recorrendo a esse mecanismo de referendo interno.

Os subscritores criticam duramente a direção do partido afirmando que «foi titubeante em matérias fundamentais» e apontam como erros o «apoio indevido a Manuel Alegre" nas anteriores eleições presidenciais e a apresentação de uma "moção de censura a brincar» [na anterior legislatura] em que «se pediu à direita para que não derrubasse o governo Sócrates».

O documento proposto é apresentado como contributo para uma moção na IX Convenção Nacional do partido, dias 22 e 23 de novembro, já que esta corrente decidiu que não irá apresentar uma moção própria.

A desvinculação do tratado orçamental, a nacionalização dos bens comuns privatizados, uma reforma fiscal que «tribute o capital que seja fator de redistribuição de riqueza» para «baixar os impostos» pagos pelos trabalhadores, e a criminalização do enriquecimento ilícito de quadros do Estado são as principais propostas da corrente Esquerda Alternativa, como escreve a Lusa.