O primeiro-ministro recusou esta sexta-feira «consensos artificiais», mas insistiu haver matérias importantes para o país que obrigam os partidos a terem abertura para um entendimento de futuro.

«Não devemos procurar consensos artificiais, não se pode forçar os partidos a pensar todos da mesma maneira e a defender todos as mesmas coisas. Mas há matérias que são tão importantes para o país, no seu todo, que os partidos e as forças sociais têm de manter uma grande abertura e disponibilidade para se poderem entender sobre as questões mais importantes», declarou Pedro Passos Coelho.

O primeiro-ministro, que comentava aos jornalistas, em Castelo de Paiva, o comunicado do Conselho de Estado de quinta-feira, acrescentou que as conclusões da reunião daquele órgão evidenciaram que «se trata de manter um clima de diálogo, que permita que as principais forças políticas tenham capacidade para gerar entendimentos para futuro».

Pedro Passos Coelho falava à margem da inauguração da feira de vinho verde que hoje inaugurou em Castelo de Paiva.

Aos jornalistas, o primeiro-ministro disse que o Governo tem «dado mostras de ter interesse num entendimento com a oposição».

Contudo, frisou, «não é por falar em entendimentos que eles se geram».

«O importante é que possamos manter essa disponibilidade. Uma coisa é podermos confrontar as nossas opiniões e até fazê-lo com convicção - isso não tem nenhum problema - outra é termos a capacidade para nos sentarmos a uma mesa e podermos, em torno de questões que são muito importantes, gerar alguns entendimentos», acrescentou.

O chefe do Governo reafirmou que «o país tem de gerar esse tipo de oportunidades por parte de todas as forças, não só partidárias, mas das sociais também».

No discurso oficial, no salão nobre da autarquia de Castelo de Paiva, Passos Coelho tinha dito haver agora razões para os portugueses terem «confiança e esperança» no futuro, mas vincou que o país deve «manter os pés bem fincados no chão».

«Temos de manter o rumo e não cometer loucuras», avisou, alertando para os perigos de se andar «a propagandear uma esperança vazia».

Referindo-se aos números do desemprego, que comparou com Espanha, disse que «Portugal defendeu-se melhor», frisando a diminuição que se tem verificado desde janeiro de 2013 no nosso país.

Passos defendeu que o país se deve mobilizar numa estratégia de competitividade e mobilizadora de vários agentes, incluindo os privados, que se traduza em mais emprego.

«Se ficar cada um de nós a puxar para o seu lado será mais difícil», como cita a Lusa.