O Bloco de Esquerda considerou, este domingo, que o congresso do PSD constituiu um espetáculo de «alucinação coletiva» com elogios ao Governo. O mesmo partido avisou que o primeiro-ministro se prepara para retomar a austeridade após as eleições europeias.



«Durante este fim-de-semana, o país assistiu a um congresso do PSD que foi uma autêntica alucinação coletiva com dezenas de dirigentes [sociais-democratas] a festejarem o sucesso da política deste Governo. Nem mesmo os dados mais recentes do desemprego, que mostram como a retoma tem pés de barro, fizeram Pedro Passos Coelho descer à terra e tomar contacto com as consequências da sua política», declarou José Guilherme Gusmão, membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.



Em conferência de imprensa, José Guilherme Gusmão sustentou que o PSD demonstrou no próprio congresso que é um partido que «não consegue ver todos os sinais e, portanto, não fala de todos os sinais do fracasso da sua política».



De acordo com o dirigente do Bloco de Esquerda, citado pela Lusa, a política do memorando da troika «centrava-se em dois indicadores fundamentais, o défice e a dívida».



«Pedro Passos Coelho optou por não falar em nenhum dos dois. O PSD, que antes dizia que uma dívida próxima dos 100 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) significava a bancarrota do país, considera agora que uma dívida de 130 por cento do PIB coloca o país no bom caminho. O PSD, que antes dizia que o défice tinha de ser o centro da política económica, não fala agora da forma como ao longo dos últimos anos todas as metas do défice foram sistematicamente falhadas», apontou José Guilherme Gusmão.



O dirigente do Bloco de Esquerda acusou ainda o presidente do PSD de ter «glorificado a política de austeridade, ignorando todas as suas consequências».



«Logo a seguir às eleições europeias [Pedro Passos Coelho] prepara-se para retomar a política de austeridade. Foi esse o aviso que o primeiro-ministro fez este domingo, dizendo que tudo o que fizemos não chega e que temos de fazer muito mais. Pedro Passos Coelho avisou este domingo os portugueses que a austeridade é para continuar», advogou o ex-deputado do Bloco de Esquerda.

Na conferência de imprensa, José Guilherme Gusmão referiu-se ainda aos apelos ao consenso feitos por Pedro Passos Coelho na intervenção de encerramento do congresso do PSD.



«O Governo lança-se em apelos ao diálogo com outras forças políticas. Um Governo que ignorou toda a oposição, que ignorou todos os movimentos sociais, que violou acordos de concertação social, que governou contra todos, um dos governos mais autistas da história da democracia portuguesa, dirige-se hoje aos outros partidos, perante o fracasso da sua política, para que o venham ajudar. Um Governo que falhou sozinho quer agora falhar acompanhado», acrescentou o dirigente do Bloco de Esquerda.