O presidente do PSD admite que «pode acontecer» e até «seria natural» uma coligação com o CDS-PP nas eleições legislativas de 2015.

«Pode acontecer, não é uma decisão que esteja tomada. As eleições serão objeto de atenção partidária a seu tempo, mas não seria um facto que causasse estranheza. Seria natural que assim acontecesse», afirmou, na entrevista à TVI e à TSF.

Passos Coelho garantiu que ainda não conversou com Paulo Portas sobre o assunto. «Mas havemos de conversar», prometeu, adiantando: «Não vejo nenhuma necessidade de criar problemas a Paulo Portas como ele não quer causar problemas ao líder do PSD».

Sobre a possibilidade de Rui Rio se apresentar como candidato à liderança do PSD, Passos Coelho afirmou que o ex-autarca «é um ativo importante para o PSD» que «tem qualidades suficientes para poder desenvolver vários projetos importantes». «No que depende da minha escolha, Rui Rio não será desaproveitado, nem dentro nem fora do PSD», frisou, sem querer comentar o convite rejeitado para o Banco do Fomento.

Questionado sobre um eventual reflexo da contestação nas eleições europeias, o líder social-democrata admitiu que «é possível e até compreensível» que o PSD e o CDS saiam penalizados da votação por causa das medidas de austeridade que tomaram. «Espero que isso não aconteça, esforçar-me-ei por mostrar aos portugueses que temos feito tudo ao nosso alcance para que as perspetivas de futuro melhorem», disse.

Passos Coelho não quis comentar o nome de Paulo Rangel como cabeça-de-lista da coligação às europeias. «A lista será um tema aberto a seguir ao congresso, até lá não falarei», resumiu.

Às perguntas sobre a contestação social nas ruas e sobre as críticas de Mário Soares e de antigos líderes PSD, o primeiro-ministro respondeu: «Encaro com muita naturalidade, vivemos num país democrático».

«Percebo que os portugueses vivam estes anos com angústia, nós no Governo também temos vivido estes anos com muita ansiedade e muita angústia. Temos a noção clara dos sacrifícios das pessoas e do esforço tremendo do país, mas penso que as pessoas começam a ter a perceção de que a resposta é positiva», concluiu.