A proposta de um referendo à coadoção e adoção por casais do mesmo sexo foi aprovada esta sexta-feira no Parlamento graças aos votos favoráveis de toda a bancada do PSD, sujeita à disciplina de voto, e à abstenção dos deputados do CDS-PP, que, mesmo sem disciplina de voto, votaram todos de acordo com a orientação da direção do partido.

No entanto, vários deputados optaram por apresentar declarações de voto que serviram para demonstrar as suas verdadeiras posições sobre a matéria.

Teresa Caeiro, do CDS, foi mesmo dura nas palavras: «Para que não haja a hipótese de ser considerada deslealdade parlamentar, conformei o meu voto a algo que não acredito e que considero uma iniciativa lamentável».

Já Francisca Almeida, do PSD, afirmou: «Em meu nome pessoal, apresentarei uma declaração de voto dando conta do grave precedente que constitui esta votação. A minha intenção era também votar contra».

Carina Oliveira, também social-democrata, foi no mesmo sentido: «Sendo minha intenção votar contra, apresentarei também uma declaração de voto».

Estas declarações foram sendo aplaudidas por alguns deputados da oposição.

Ricardo Batista Leite, António Prôa e Mota Amaral foram outros dos parlamentares laranja a apresentar declarações de voto.

Além dos votos favoráveis do PSD e das abstenções do CDS, dois deputados do PS também se abstiveram: António Braga e João Portugal.

Recorde-se que Teresa Leal Coelho faltou à votação e demitiu-se da vice-presidência da bancada do PSD por não concordar com esta proposta e com a disciplina de voto imposta aos deputados.

Já Miguel Frasquilho escreveu no Facebook: «Muito do que hoje se passou podia - e devia - ter sido evitado. Se houver referendo, naturalmente estarei do lado do SIM.»