José Leite Martins é o homem no centro da polémica. Foi o secretário da Estado da Administração Pública quem promoveu um encontro informal com a imprensa, onde foram discutidas algumas das ideias para a substituição da CES. Ficou acertado que as informações podiam ser divulgadas, mas que a fonte teria de ser anónima.

O encontro aconteceu na quarta-feira, mas, poucas horas depois, e às primeiras notícias, já Passos Coelho esclarecia que afinal não há ainda decisões tomadas sobre a matéria.

Do interior do Governo, o ministro da Presidência rejeitou a ideia de que tenha havido fuga de informação. Marques Guedes disse, esta quinta-feira, que a matéria jornalística sobre as alterações das reformas foi parte de uma conversa em off entre jornalistas e um membro do Governo. E reafirmou que o grupo de trabalho que estuda a substituição da CES ainda não informou oficialmente o executivo de qualquer conclusão, considerando por isso tratar-se de manipulação jornalística.

Leite Martins é secretário de Estado desde o final do ano passado, depois da saída de Hélder Rosalino. Foi inspetor geral das Finanças durante uma década. Antes esteve como assessor jurídico de Durão Barroso no Ministério dos Negócios Estrangeiros e depois como chefe de gabinete do então primeiro-ministro.

Jornais e Lusa rejeitam afirmações de ministro sobre manipulação

As direções de cinco jornais e da agência Lusa assinaram hoje uma nota em que rejeitam as afirmações do ministro Marques Guedes de que as notícias sobre um eventual corte permanente de pensões eram manipulação.

Numa nota intitulada «Sigilo sobre a fonte e não sobre o assunto», os diretores do Diário Económico, Público, DN, JN, Correio da Manhã, Dinheiro Vivo e da agência Lusa afirmam ter cumprido «todas as regras da profissão, bem como o acordo feito, em coletivo e na presença de todos, com o membro do Governo que convidou os jornalistas» para um encontro, na quarta-feira, no Ministério das Finanças, e que resultou na notícia de estar a ser ponderado um corte permanente de pensões.

«O tema da reunião seria a convergência de pensões. Durante o encontro, foi referido que os temas abordados e discutidos poderiam ser noticiados, mas sem serem atribuídos a nenhum responsável, apenas a fonte do Ministério das Finanças. Os temas tratados, com embargo de divulgação até à meia-noite de quarta-feira, acabaram por fazer a manchete da maioria dos títulos de imprensa de quinta-feira», lê-se no texto.

Perante as afirmações do ministro da Presidência, os órgãos de comunicação social presentes na reunião rejeitam «as afirmações a propósito deste tema do porta-voz do Governo, o ministro Marques Guedes, e reafirmam que cumpriram todas as regras da profissão, bem como o acordo feito, em coletivo e na presença de todos, com o membro do Governo que convidou os jornalistas».