Os líderes dos dois maiores partidos da oposição da Madeira defendem a renegociação do programa de ajustamento da região, considerando que a saída da troika de Portugal será o momento para aligeirar a dupla austeridade sobre os madeirenses.

«Dois anos depois, o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) conduziu a Madeira a algum equilíbrio financeiro, mas conduziu também a economia a uma gravíssima crise com repercussões sociais alarmantes», declarou o líder do CDS/PP-Madeira à agência Lusa.

José Manuel Rodrigues mantém que «este programa de ajustamento é incomportável para as Finanças Públicas regionais e é insuportável para as famílias e empresas».

O líder centrista insular argumenta que os «madeirenses estão a ser vítimas de uma dupla austeridades», defendendo que «este plano não vai pôr as contas regionais em dia, nem conduzir ao crescimento e à criação de emprego».

Na opinião de José Manuel Rodrigues, o programa de ajustamento da Região Autónoma «deve ser flexibilizado» e é necessário uma «reestruturação da dívida regional com o apoio do Estado».

O que vai contra a afirmação do secretário do Plano e Finanças da Madeira que diz que o resultado do cumprimento do programa de ajustamento da Região é «positivo», estando atrasado apenas o processo das privatizações, que dará «um grande passo» no primeiro semestre deste ano.

«Temos uma oportunidade agora quando Portugal se libertar da troika, em maio», frisou.

Para o presidente do PS-M, Vitor Freitas, com este programa de ajustamento a Madeira «regressou ao passado em termos dos indicadores da região, estando no topo das falências de empresa, do aumento do desemprego, da saída das pessoas para a emigração».

«Hoje a Madeira retrocedeu décadas, ao período de antes da adesão à União Europeia, é uma região em declínio, com graves problemas económicos e sociais¿, afirmou, fazendo um ¿balanço bastante negativo» da aplicação do PAEF, visto que, no seu entender, a «dupla austeridade, representa duplas consequências».

Segundo Vitor Freitas, é «necessário uma renegociação do plano de ajustamento, dilatar os prazos de pagamento a partir de 2016, um aligeirar dos sacrifícios até 2015 e fazer a renegociação com a banca, com o apoio do Estado, estendida por várias dezenas de anos».

O responsável socialista madeirense argumenta que se esta região tiver de pagar as dívidas nos prazos estabelecidos «vai entrar novamente em rutura financeira, porque o serviço da dívida vai custar quase 500 milhões de euros, o que é metade do orçamento regional».

Vitor Freitas defende que era necessário que «os Governos da República, este e o próximo, começassem a aperceber que não pode haver dupla austeridade para a Madeira, os madeirenses não podem estar sob dois planos de ajustamento».

«Espero que o Governo depois de passar este período da troika, que é maio junho, a partir daí tenha um olhar diferente sobre a Região Autónoma da Madeira e comece a fazer outro caminho em relação à austeridade aplicada aos cidadãos da Madeira e Porto Santo», concluiu.