O deputado socialista João Galamba defendeu hoje que o acordo entre PSD, CDS-PP e PS pedido pelo Presidente da República implica o suicídio de um dos elementos, admitindo que Cavaco Silva tem «em mente» o suicídio político do líder socialista.

«É impossível porque para ser bem-sucedido implicava o suicídio político de um deles. Acho que o suicídio político que o Presidente da República tem em mente é o suicídio político do líder do Partido Socialista, porque qualquer acordo implicaria que o Partido Socialista renunciasse ao que tem dito nos últimos anos», defendeu João Galamba.

O deputado do PS falava durante um almoço do American Club, num hotel de Lisboa, num debate em que participaram igualmente Miguel Frasquilho, do PSD, e Nuno Magalhães, do CDS-PP.

Numa outra fase do debate, o deputado socialista disse ter «muitas dúvidas» relativamente a apelos de salvação nacional que não têm um objeto concreto, manifestando a sua «repulsa» perante compromissos que visam «acabar com as diferenças entre os partidos», que entende como «o sangue da democracia».

«Vejo como muito problemático, até um pouco antidemocrático, numa linha, aliás, que é característica deste Presidente da República, que olha para a democracia e para os partidos como uma coisa de fedelhos, porque, na verdade, gente séria e responsável não discorda», disse.

«Não só acho que não vai haver nenhum acordo, como não pode haver nenhum acordo», sublinhou.

Ainda durante a intervenção inicial, João Galamba disse que «aquilo que é propostos aos partidos é uma irracionalidade financeira e política».

O deputado socialista reiterou a ideia que tem vindo a defender segundo a qual «a austeridade não é uma forma responsável de responder à crise», o que não é do interesse de Portugal nem do interesse dos credores

«Se Portugal enveredar na aventura do corte dos 4 mil milhões, os resultados serão muito piores», afirmou.