O Presidente da República considera não existir «nenhuma razão lógica» para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de 7 por cento, sublinhando que Portugal «já saiu da recessão».

Numa entrevista publicada esta segunda-feira ao diário sueco «Dagens Nhyeter», o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, fala sobre a situação económica portuguesa, o «elevado grau de responsabilidade» mostrado pelos portugueses perante todos os sacrifícios que lhes foram impostos e insiste na necessidade de um maior diálogo entre os partidos políticos.

«Portugal já saiu da recessão e apresenta o maior crescimento de toda a União Europeia. Não existe nenhuma razão lógica para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de 7% nos mercados financeiros», disse Cavaco Silva, que chegará a Estocolmo na terça-feira, para uma visita de Estado de três dias à Suécia.

Admitindo que foram cometidos erros no passado, com a despesa pública aumentar e a dívida a subir, Cavaco Silva lamenta, contudo, o facto dos outros países da zona Euro, o Banco Central Europeu e os mercados financeiros não reconhecerem o esforço realizado com as reformas e cortes e aproveita para enaltecer a forma como os portugueses têm reagido aos sacrifícios que lhes foram impostos.

«O povo português tem mostrado um elevado grau de responsabilidade», afirma Cavaco Silva.

O Presidente da República lamenta igualmente o facto do Banco Central Europeu não ter agido para relançar o financiamento das empresas portuguesas, comentando que um pequeno empresário em Portugal é obrigado a pagar o dobro da taxa de juro suportada por um empresário alemão, apesar dos riscos associados ao crédito serem semelhantes.

Para o futuro, o Presidente da República espera outro tipo de atitude do Banco Central Europeu, reconhecendo que Portugal precisará do apoio da instituição e dos países da Zona Euro quando regressar aos mercados financeiros no próximo ano depois de concluído o programa de ajustamento financeiro.

«Precisamos de apoio e creio, também, que o merecemos», sustenta o chefe de Estado.

Sobre o pós-troika, Cavaco Silva retoma os apelos ao diálogo entre os partidos, antecipando que no futuro Portugal se habituará «a ter Governos mais abrangentes».

«Isso é importante para fortalecer a confiança e aumentar a estabilidade política», preconiza Cavaco Silva, insistindo que «é necessário um diálogo contínuo entre os partidos acerca do período pós-troika».

«

Eu faço aquilo que posso para apoiar esse desenvolvimento», acrescenta.

Quanto à sua visita à Suécia, onde estará acompanhado por uma delegação de cerca de 30 empresários, Cavaco Silva explica que tentará convencer as empresas suecas a investirem em Portugal e alterar a imagem que existe do país.

«Vou fazer o meu melhor para explicar o grande potencial que existe em Portugal», promete o chefe de Estado.