A proposta de referendo à coadoção por casais do mesmo sexo foi aprovada na sexta-feira, mas a palavra final sobre a consulta popular é de Cavaco Silva que segundo o jornal «Expresso», não será favorável à realização do referendo .

A aprovação do referendo sobre a coadoção e adoção por casais do mesmo sexo é apenas o inicio de um processo a que não vão faltar obstáculos .

A palavra final é do Presidente da Republica que segundo o jornal «Expresso» não verá com bons olhos a consulta popular sobre esta questão e, numa altura em que o país deve estar centrado no fim do programa de ajustamento financeiro, dificilmente o Presidente da República considerará este tema de relevante interesse nacional como exige a lei do referendo.

Mas, até que haja uma decisão do Presidente, as duas perguntas do referendo, uma sobre coadoção e outra sobre adoção por casais do mesmo sexo, terá de passar ainda pelo crivo do Tribunal Constitucional. Se não passarem, o diploma é devolvido à Assembleia da República para reformulação. E o processo regressará ao início.

Se o futuro do referendo é incerto, a crise na bancada parlamentar do PSD é mais que certa. Dos 108 deputados apenas 103 votaram favoravelmente este projeto de resolução e mais de uma dezena apresentou declaração de voto .

A discordância sobre a matéria, que tinha a aprovação da direção do partido e do próprio Passos Coelho, levou à demissão de Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada parlamentar .

O referendo à coadoção deixa ainda uma divisão clara entre a maioria, com o CDS a demarcar-se totalmente e a ameaçar mesmo que não viabilizará a dotação orçamental para que referendo se realize em 2014.