Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República de Portugal recebeu autorização para navegar nas águas do Principado da Pontinha. Parece brincadeira, mas há quem leve a sério. O edital foi assinado por «Sua Alteza Real o Príncipe Dom Renato II», pode ler-se no edital a que o «Diário de Notícias da Madeira» teve acesso e que foi enviado ao representante da República no Funchal na quarta-feira.

«O monarca e príncipe do principado independente da Pontinha vem por este meio autorizar que o seu homólogo republicano, senho Aníbal Cavaco Silva atravesse e percorra este principado soberano em sinal de boa vontade e de fraternidade entre países irmãos».

Renato II reclama a soberania daquele território do arquipélago a Madeira graças a uma «carta régia de alienação irreversível do rei D. Carlos I».

Mas, qual é a história por trás deste comunicado? Era uma vez «o Principado do Ilhéu da Pontinha é uma entidade não reconhecida pela ONU, localizada a 70 metros de Funchal, Ilha da Madeira. Tem uma área total de 178 metros quadrados» , cuja capital e única cidade é o Forte São José».

Da navegação na Internet acrescenta a Wikipedia que a «sua autoridade máxima é o Príncipe D. Renato I de Barros, Príncipe do Ilhéu da Pontinha e Eleitor de Portugal», mas que «o principado foi comprado por D. Renato de Barros em 2000 por 9 milhões de escudos» e que «Dom Renato declarou em 2007 a independência do ilhéu».

Há também outra página na rede que transcreve «cartas do príncipe», onde explica e reforça o seu poder sobre aquele punhado de terra: o «Principado do Ilhéu da Pontinha sucede algo semelhante. Um cidadão compra um território cuja propriedade e domínio foi alienada em 1903, pelo penúltimo Rei de Portugal. Se este ato do Rei de Portugal não é válido então também não o serão todos os atos praticados pelos anteriores Reis de Portugal no que se refere ao território (...) à luz do Direito Internacional o ilhéu da Pontinha foi efetivamente desafetado do domínio de Portugal. O atual dono do ilhéu fez saber das suas intenções, se ninguém o reconhecer, ele passa a ser dono e senhor de um território ocupado pela força por um Estado estrangeiro. Isso ainda hoje acontece com Olivença».