As edições eletrónicas de alguns dos principais jornais internacionais destacaram hoje a decisão do Presidente da República de manter o Executivo em funções, assinalando o apoio do chefe de Estado ao Governo.

A notícia é essencialmente a mesma em todas as edições, mas o Wall Street Journal, por exemplo, afirma que «à primeira vista, a decisão de não convocar imediatamente eleições vai provavelmente aliviar os investidores, mas a crise política em Portugal sublinhou a fragilidade dos governos que estão a impor uma austeridade severa».

O jornal norte-americano escreve ainda que «os analistas políticos dizem que não há garantia que um primeiro-ministro fragilizado consiga sobreviver até ao fim do mandato, em 2015, particularmente com um orçamento para o próximo ano que terá de indicar cortes de 4,7 mil milhões de euros na despesa altamente impopulares», e acrescenta, num texto que faz a submanchete da edição eletrónica: «A incerteza, que fez subir os custos de financiamento nas últimas semanas, pode atingir a confiança dos mercados ainda mais. Se Portugal não puder confiar nos investidores para comprarem a sua dívida depois do fim do programa de ajustamento, em junho de 2014, vai precisar de mais dinheiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional».

A agência Efe, a fonte escolhida pelas edições eletrónicas dos espanhóis El Pais e El Mundo, titula que «O Presidente de Portugal confirma o Governo conservador» e escreve que Cavaco «decidiu este domingo que o atual Governo conservador continue no poder depois do fracasso do pacto de salvação nacional que pediu aos principais partidos deste país».

O Presidente da República, Cavaco Silva anunciou, numa declaração ao País, que decidiu manter o governo em funções. Explicou que, não tendo sido possível um compromisso de salvação nacional, a melhor alternativa é a continuação em funções do Governo «com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura», e revelou também que o Governo PSD-CDS vai apresentar uma moção de confiança no Parlamento.