A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, sublinhou hoje que um maior nível de abstenção terá como consequência uma menor representação e que quem não escolher verá as suas escolhas feitas por si.

«Como sabem, em 2009, menos de metade dos eleitores escolheram os seus representantes no Parlamento Europeu. De facto, os eurodeputados foram escolhidos por um em cada três eleitores. Amanhã teremos novos representantes no Parlamento Europeu, as pessoas sabem como nunca como as decisões na Europa têm um impacto direto nas suas vidas», afirmou aos jornalistas a dirigente do Bloco de Esquerda depois de votar numa escola em Vila Nova de Gaia.

Catarina Martins disse ser «importante que [as pessoas] escolham, que escolham quem lhes pode dar voz» e alertou: «A abstenção faz-nos ter menos representação. Faz com que sejamos menos a escolher. Vir votar, não abdicar desse direito de escolher. De escolher quem pode representar. Quem pode dar voz».

«É muito importante que quem não escolher saiba que alguém escolherá por si. E portanto nós sabemos que estaremos mais fortes se os representantes ao Parlamento Europeu que vamos ter a partir do dia de amanhã tiverem sido escolhidos por mais pessoas, que possam dar mais voz ao nosso país», afirmou a responsável do Bloco de Esquerda.

Perto de 9,7 milhões de eleitores são hoje chamados a eleger os 21 deputados portugueses no Parlamento Europeu, menos um do que há cinco anos.

No total, concorrem 16 listas, mais três do que nas europeias de 2009.

Nas eleições realizadas há cinco anos, o PSD, que agora concorre coligado com o CDS-PP, elegeu oito eurodeputados, enquanto o PS conseguiu conquistar sete lugares no Parlamento Europeu.

O BE foi a terceira força política mais votada, elegendo três eurodeputados, e o CDS-PP elegeu dois, tal como a CDU.

A abstenção nas eleições realizadas a 07 de junho de 2009 foi de 63,22%, mesmo assim abaixo do valor recorde registado em 1994, 64,46%.

No total, serão eleitos 751 eurodeputados pelos 28 Estados-membros da União Europeia, que representarão cerca de 500 milhões de cidadãos da UE nos próximos cinco anos, como conta a Lusa.

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, considerou hoje que votar é «a única solução» para que as «as coisas progridam», apelando à participação numas eleições Europeias em que «todas as forças políticas vão ser avaliadas».

«Este ato eleitoral é muito importante porque se queremos melhorar a situação e que as coisas melhorem e progridam a única solução é votar. Hoje o que contam são os votos. Quem fica em casa não conta para essas contas. Hoje vamos eleger os eurodeputados e naturalmente que todas as forças políticas vão ser avaliadas», afirmou João Semedo.

O dirigente do Bloco de Esquerda falava aos jornalistas depois de votar na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, onde apelou «aos portugueses e portuguesas» para que participem nestas eleições Europeias.

«Espero que as portuguesas e os portugueses respondam a este seu direito e também um dever em participar nas eleições. Só assim é que aqueles que estão preocupados com a situação em que o país se encontra, os problemas que a Europa atravessa, os elevados níveis de desemprego e pobreza, poderão alterar alguma coisa. Ficar em casa em nada adianta», disse o coordenador do Bloco de Esquerda.

Questionado sobre como avalia o facto de estarem a registar-se alguns boicotes às eleições, com mesas de voto fechadas, ao longo do país, João Semedo considerou que «isso é já um episódio banal de uma longa história das eleições e da história da democracia portuguesa dos últimos 40 anos».