À exceção do recandidato do PSD/CDS-PP a Lamego - popularizado pelos vídeos sobre «A primeira vez com Francisco Lopes» ¿, os anónimos que ficaram famosos clique a clique, nas redes sociais, brilharam pouco nas urnas.

A título de exemplo ¿ e pegando no mais emblemático desta campanha ¿ Manuel Almeida, 40 anos, candidato à Câmara de Vila Nova de Gaia pelo Partido Trabalhista Português (PTP), conseguiu 0,86 % dos votos (1.079 votos), depois de, nas eleições de 2009, o PTP não ter concorrido a este concelho.

Este candidato, recorde-se, ficou famoso logo na partida: na apresentação da candidatura assumiu que talvez tivesse «escolhido mal a equipa», porque, como os jornalistas, «alguns elementos da lista não compareceram».

Depois, num debate, prometeu que, «ganhando as eleições», formaria «ninjas preparados para ajudar a Polícia Municipal a tomar conta de Vila Nova de Gaia». Os seus vídeos no YouTube reúnem, no conjunto, mais de 200 mil visualizações.



Em declarações à agência Lusa, o politólogo Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro, explicou que os resultados de domingo mostram que a visibilidade «viral» nas redes sociais, apesar de ter contagiado os meios tradicionais, não teve reflexo nas urnas.

Isto, defendeu, releva «os limites destes efeitos virais» e «demonstra que o comportamento dos eleitores não é neutro, ou seja, que estes encaram as eleições com uma série de pressupostos e informações que condicionam o seu voto».

Flávio Nunes, de 18 anos, candidato do Movimento Partido da Terra (MPT) à Câmara de Tomar, é outro exemplo de muito brilho nas redes sociais e pouco brilho nas urnas. O jovem saltou do anonimato para a ribalta com um vídeo low cost, produzido por si e pelos seus amigos, «com boa vontade», e onde o próprio apresenta, cantando em rap, as suas promessas.

«Sem dinheiro para a campanha, tentei ser criativo. Sem cartazes nem outdoors fiz um rap alternativo», canta no vídeo que tem mais de 24 mil visualizações. Conseguiu 0,64 % dos votos (1.369 votos), depois de, em 2009, o MPT não ter apresentado nenhum candidato a este concelho.

«Outro fator que joga contra estes candidatos é que os votos fazem sentido se houver um mínimo de votos num determinado candidato, porque os votos que não elejam vereadores são votos desperdiçados. Os eleitores tendem a afastar-se desse tipo de candidatos», explicou ainda Carlos Jalali, acrescentando que «estes vídeos servem sobretudo para mobilizar quem já é apoiante ou potencial apoiante daquela lista».

Um pouco à margem deste quadro - porque conseguiu a reeleição - fica Francisco Lopes, 45 anos, recandidato à Câmara de Lamego pelo PSD/CDS-PP, que se tornou objeto de falatório nas redes sociais quase sem dar a cara. A sua campanha realizou dois vídeos semelhantes ¿ um protagonizado por um jovem rapaz, o outro protagonizado por uma jovem rapariga ¿ que têm um tom sensual, e a que chamou «A minha primeira vez com Francisco Lopes».

«Sim, tenho pensado muito em como vai ser a minha primeira vez», diz o protagonista, na casa dos 20 anos, a sorrir, para passar depois, devagar, a mão pelo peito. Depois de uma pausa, e de gargalhadas, acrescenta: «Não vou revelar como vai ser a minha primeira vez, é algo secreto, [mas] é com uma pessoa que sabe o que quer e que inspira confiança. Uma pessoa cool». Estes vídeos têm, no conjunto, mais de 60 mil visualizações.

Mas também aqui, estima o investigador, e embora a coligação tenha conseguido quatro mandatos para a câmara (53,76 % dos votos), o vídeo não fez brilhar o resultado final. Em 2009, Francisco Lopes teve 63,5 % dos votos. No domingo, perdeu dois vereadores para o PS.