Viagens ao estrangeiro não fundamentadas e abusos no uso das comunicações e das viaturas municipais foram algumas das conclusões da auditoria às contas da Câmara de Loures, apresentadas esta quinta-feira pelo presidente da autarquia, Bernardino Soares (CDU).

A realização de uma auditoria às contas do município de Loures fora uma das promessas eleitorais de Bernardino Soares, que sucedeu em outubro no cargo ao socialista Carlos Teixeira.

Os primeiros resultados desta auditoria, que foi realizada com os meios próprios da autarquia e com a participação do Revisor Oficial de Contas, foram apresentados esta manhã, sendo que «nas próximas semanas» serão revelados mais dados, segundo explicou Bernardino Soares.

«A auditoria revelou-se uma tarefa de especial complexidade, tendo em conta a vastidão das matérias a analisar e a dificuldade em tratar e em certos casos em obter a informação indispensável para o trabalho¿, face à ¿insuficiência dos registos e a desadequação de muitos procedimentos», justificou o autarca.

Os dados revelados à imprensa respeitam a avenças, despesas de deslocação, representação e estada, comunicações, viaturas e gabinete de consultadoria jurídica.

Relativamente a viagens, a auditoria identificou que, desde 2002 foram gastos cerca de 300 mil euros, sendo que «a maioria destas deslocações não se encontra fundamentada e não tem relatórios de avaliação que demonstrem o seu interesse para o município».

Ainda dentro desta rubrica, é referido que nos três mandatos anteriores foram efetuados reembolsos, ajudas de custo e pagamentos diversos aos membros do executivo no valor de mais de 110 mil euros na Câmara Municipal e mais de 60 mil euros nos Serviços Municipalizados.

A auditoria conclui que, «na maioria das situações, os justificativos, em regra escritos no verso das faturas, são vagos e sem verdadeira fundamentação».

Aponta-se, ainda, o exemplo de que nos últimos quatro anos a despesa em cápsulas de café foi de quase 40 mil euros.

Relativamente a comunicações, foi apurado que desde 2002 foram gastos mais de 8 milhões de euros, em média cerca de 680 mil euros por ano.

«Em várias situações os gastos ultrapassaram os limites definidos, tendo a Câmara assumido os encargos sem qualquer justificação expressa», afirmou Bernardino Soares.

No que diz respeito à utilização de viaturas da frota municipal, Bernardino Soares queixou-se de que ¿não foram estabelecidos procedimentos objetivos e transparentes para a sua manutenção e utilização, o que se traduziu num aumento destes gastos¿.

«Não existem em vários períodos o registo fiável dos quilómetros percorridos e dos litros de combustível abastecido em cada viatura», apontou.

A existência de várias avenças e prestações de serviço sem «evidência de trabalho realizado» foram outras das irregularidades detetadas pela auditoria.

«Esta primeira amostra de conclusões da auditoria demonstra já as graves ações e omissões da gestão anterior que merecem a nossa mais veemente censura», referiu.

Bernardino Soares admitiu, ainda, que algumas das conclusões da auditoria serão enviadas ao Ministério Público e às autoridades competentes para que «ajam em conformidade», cita a Lusa.

A Lusa contactou o presidente da Concelhia do PS, Ricardo Leão, para obter a sua posição sobre estas conclusões, mas o também vereador na autarquia, escusou-se a comentar «enquanto não conhecer os resultados finais da auditoria».