O Governo lançou esta segunda-feira um modelo de briefings diários com os jornalistas que apresentou como «flexível», composto por partes em «on», que podem ser registadas e divulgadas, e em «off», que não podem ser citadas nem atribuídas.

«Temos consciência de que é uma experiência nova em Portugal, poderá ser estranha à nossa cultura política, mas é comum noutras democracias consolidadas e exigentes, e entendemos que pode contribuir para melhorar a nossa cultura política», declarou o secretário de Estado Pedro Lomba, responsável pela condução destes briefings diários, na Presidência do Conselho de Ministros.

No início da sua intervenção, o secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional afirmou que estes encontros «serão diários, à exceção de quinta-feira, dia do briefing de Conselho de Ministros, e terão a duração máxima de 30 minutos», sendo divididos em três diferentes momentos.

Segundo Pedro Lomba, num primeiro momento, haverá uma intervenção inicial do Governo sobre o tema ou temas escolhidos e previamente comunicados pelo executivo às redações. Num segundo momento, serão respondidas questões da comunicação social sobre os respetivos temas.

O secretário de Estado ressalvou, contudo, que «estes dois primeiros momentos dos encontros poderão ser em on ou em off, sempre que as circunstâncias o justificarem», e que os briefings poderão ser «com ou sem conferência de imprensa», acentuando que «o formato é flexível e aberto».

«O terceiro momento do encontro será informal. Queremos usar este tempo e este momento para conversar com os senhores jornalistas de forma mais detalhada. Será o espaço para esclarecer algumas dúvidas e para vos dar o enquadramento das questões do dia», completou Pedro Lomba, adiantando que a informação prestada neste terceiro momento «não pode ser citada nem atribuída a nenhuma fonte».

Nos dois primeiros momentos do briefing, estarão presentes «com frequência» secretários de Estado ou ministros, em função dos temas.

Pedro Lomba referiu que «existem modelos diferentes de briefings diários nas democracias ocidentais, desde as conferências de imprensa com porta-voz da Casa Branca, às reuniões totalmente em off, sem declarações públicas, do Governo britânico». «Precisamente pela novidade que esta iniciativa representa, escolhemos iniciar um modelo flexível, que irá sendo afinado, com as vossas contribuições, e que poderá vir a adotar outros aspetos de alguns desses modelos existentes», acrescentou.

«Este é um modelo flexível, e vamos adaptá-lo, também de acordo com as vossas sugestões, que muito apreciaríamos», reforçou.

Informação correta

Um dos objetivos deste briefing é que os jornalistas tenham cesso a «informação correta e explicada» e combater um «sentimento anti-política».

«Existem dois tipos de discurso político que têm ganho rápido protagonismo e que alimentam um sentimento anti-política. De um lado, temos um discurso técnico-político, difícil de perceber e de interpretar. Do outro lado, temos um discurso superficial e vazio, que não se compromete com nada e que nada assume. É este contexto que alimenta o sentimento anti-política e é contra isso que batalhamos na promoção de uma cultura mais saudável e transparente», afirmou.

«A bem do país, é nossa obrigação ajudar os nossos cidadãos a perceber e a desmistificar essas duas linhas de discurso. A informação correta e explicada é o caminho certo para evitar a desinformação. O acesso à informação correta, limpa e simples é uma das bases fundamentais da democracia», reforçou.

«O Governo não edita a informação e os seus temas, essa informação é vossa, mas o Governo deve fornecer a informação necessária, com dados, para uma completa compreensão dos temas, e deve ser exigente com o tratamento dessa informação. Este é o espaço em que isso acontece com toda a transparência», disse.