A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) dirigiu, terça-feira, um apelo ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para que «não se faça de sonso», depois de este ter dito que uma campanha não pode ser «um exercício de eleitoralismo».

Num discurso no Porto, a dirigente do BE, Catarina Martins, afirmou que o «conselho» de Pedro Passos Coelho de que «ninguém leva a sério promessas que se sabe não ser possível realizar» é bom, mas que é pena «não ter tido tempo de o dizer ao Pedro Passos Coelho de 2011».

«Nós lembramo-nos de Pedro Passos Coelho a correr todo o país numa campanha eleitoral, a prometer que não ia cortar o subsídio de Natal, a prometer que não ia cortar nas pensões, a prometer que não ia despedir funcionários públicos e por isso dizemos: 'Senhor primeiro-ministro, de 2011 ou de 2013, não se faça de sonso'. Nós sabemos o que disse no verão passado. Foi o contrário de tudo o que fez. Como pode agora vir Pedro Passos Coelho falar de eleitoralismo?», perguntou a coordenadora bloquista.

No seu discurso no Rivoli, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse que o Governo só pretende devolver as pensões que sejam alvo de cortes no ano em que estiverem «35 graus no Natal e nevar em agosto».

Durante o arranque oficial da campanha do partido, Catarina Martins lembrou que o Governo «quer cortar pensões a partir de 600 euros [e as] pensões de sobrevivência a partir de 419 euros».

«Diz o Governo que os cortes não são permanentes e até, quem sabe, irá subir as pensões. E diz que as pensões podem subir se se verificarem duas condições: no momento em que o défice do país for zero e que o crescimento da economia for 3%. Eu não sei se sabem quantas vezes é que isso aconteceu nos últimos 40 anos. Não foram muitas. Não foram 10, não foram 5. Na verdade, não foi nenhuma», afirmou a coordenadora do BE perante uma sala cheia.

Por isso, Catarina Martins afirmou que «o que [o primeiro-ministro] Pedro Passos Coelho diz aos pensionistas a quem corta a pensão permanentemente, a quem contribuiu para construir o país, o que lhes diz é que corta a pensão e que voltará a devolver no ano em que fizerem 35 graus no Natal e nevar em agosto e isto é um insulto».

Na semana passada, o Governo aprovou em Conselho de Ministros uma proposta de lei que estabelece a convergência de pensões entre o setor público e o setor privado, reduzindo em 10% as pensões de valor superior a 600 euros.