O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo acusou hoje o Presidente da República de estar «mais preocupado em proteger os partidos que o elegeram e em salvar o Governo».

Numa declaração de pouco mais de três minutos, no Porto, logo após Cavaco Silva anunciar que vai manter o Governo em funções, o dirigente bloquista afirmou também que «o que o Presidente da República hoje anunciou é a pior saída para a crise política».

«Um governo sem crédito e sem legitimidade é um governo que merece e justifica ser demitido», reafirmou João Semedo.

O coordenador do BE sublinhou ainda o que disse ser «a gravidade de ser o Presidente da República a anunciar que os partidos que hoje governam apresentarão na Assembleia da República uma moção de confiança».

«Não me recordo de um momento tão confuso como este, no que diz respeito à independência entre os órgãos de soberania», acrescentou ainda João Semedo.

O Presidente da República, Cavaco Silva, fez esta noite uma comunicação ao país onde considerou que, não tendo sido possível o compromisso de salvação nacional que propôs ao PSD, PS e CDS-PP, a continuidade do Governo em funções será a melhor alternativa «com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura».

Cavaco Silva anunciou ainda que o Governo PSD-CDS vai apresentar uma moção de confiança no Parlamento e alertou que, apesar do executivo estar em plenitude de funções, não abdicará de nenhum dos seus poderes constitucionais, nunca se referindo à proposta de remodelação que lhe foi apresentada pelo primeiro-ministro e que Pedro Passos Coelho disse publicamente incluir a passagem de Paulo Portas a vice-primeiro-ministro, depois de não ter aceitado a sua demissão.

A crise política arrasta-se há três semanas, depois dos pedidos de demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a 01 de julho, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia seguinte.