O secretário-geral do PCP afirmou esta segunda-feira que as candidaturas europeias do PS e do PSD, protagonizadas por Francisco Assis e Paulo Rangel, são «quase siamesas» e têm em vista a constituição futura de um «novo bloco central».

«A nossa mudança, presente nesta declaração programática, é a única e verdadeira alternativa à política de direita que une (Paulo) Rangel (PSD) e (Francisco) Assis (PS). Uma mudança assente na ideia de um Portugal com futuro, numa Europa dos trabalhadores e dos povos», declarou Jerónimo de Sousa na apresentação do programa da Coligação Democrática Unitária (PCP, Verdes e Intervenção Democrática) para as eleições ao Parlamento Europeu, em maio.

O líder comunista, que discursou no Centro de Trabalho do PCP, o antigo hotel Vitória, em Lisboa, sublinhou que sociais-democratas e socialistas têm um «pacto para continuar a política de direita, para lá do pacto de agressão, não de regime, mas contra o regime democrático».

«Em geral e, sobretudo, em matéria de políticas europeias, estas duas candidaturas quase parecem siamesas. Não espanta. Bastaria relembrar que Assis tem sido um dos mais entusiásticos defensores daquilo que PSD e Cavaco Silva andam há muito a defender - o mal-chamado bloco central», num registo da Lusa.

Já o cabeça de lista da Coligação Democrática Unitária, João Ferreira, propôs a dissolução da União Económica e Monetária, a par de um «programa de apoio aos países cuja permanência no euro se tenha revelado insustentável».

«O controlo por cada Estado do banco central nacional e da política monetária, incluindo o instrumento moeda, a favor do emprego e do crescimento económico. A dissolução da União Económica e Monetária», enumerou, entre diversas outras propostas de princípio - «seis direções fundamentais» - na apresentação do programa para as eleições europeias de maio, em Lisboa.

O atual eurodeputado adiantou ainda a ideia da «criação de um programa de apoio aos países cuja permanência no euro se tenha revelado insustentável, que preveja a devida compensação pelos prejuízos causados e enquadre uma saída negociada destes Estados da moeda única, a par da recuperação de instrumentos de soberania monetária, cambial, orçamental e fiscal», cita a Lusa.