O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, assumiu esta quinta-feira saber, desde o início, haver «preferência» dos EUA por um porto italiano para a operação de transbordo de químicos do arsenal sírio.

Questionado sobre se Portugal mantém a disponibilidade para receber futuras operações idênticas, Rui Machete mostrou abertura, sublinhando que a decisão dependeria sempre do contexto.

Quanto às armas químicas sírias, a escolha era a previsível.

«Soubemos, desde o princípio, que a preferência fosse para um porto italiano. Mas os Estados Unidos da América colocaram-nos o problema e nós considerámo-lo. Se houver questões deste tipo, teremos de as considerar nas mesmas circunstâncias. Mas não está garantido que colaboremos. Depende muito das circunstâncias», frisou o ministro.

O porto italiano de Gioia Tauro, na região da Calábria, foi o escolhido para a operação de transbordo de químicos do arsenal sírio, informou o ministro dos Transportes de Itália, Maurizio Lupi.

Rui Machete falava aos jornalistas no fim de uma reunião com a comissão representativa dos trabalhadores da Base das Lajes, na qual esteve também o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.

O ministro acrescentou que, caso Portugal fosse o escolhido para a operação, nunca esteve em cima da mesa nenhum tipo de contrapartida, nem mesmo ao nível da Base das Lajes.

«Nós não consideramos a nossa posição em função de qualquer contrapartida, a não ser colaborarmos numa iniciativa que é extremamente importante em termos de situação na Síria e, em geral, a maneira como as armas químicas devem ser efetivamente proibidas», referiu o governante.

Contudo, Rui Machete reconheceu que é sempre importante ver realçada a «importância geoestratégica dos Açores», que aconteceria com a participação de Portugal nesta operação, cita a Lusa.